'Foi provocação', diz Lula
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segunda-feira, 15 de maio de 2006
Leonencio Nossab<br>Agência Estado 
Brasília- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista ontem, que o que aconteceu em São Paulo no fim de semana foi uma provocação e uma demonstração de força do crime organizado. Lula reiterou a oferta do governo federal de enviar a São Paulo homens do Exército e da Força-Tarefa Nacional e de todo o Serviço de Inteligência para ajudar o governo paulista a enfrentar a violência.
''Num momento como este, não adianta ficar achando que alguém tenha mágica para resolver o problema. Vamos utilizar muito a inteligência'', disse o presidente. A uma pergunta se as disputas políticos estariam dificultando um trabalho conjunto entre governos federal e estaduais, Lula respondeu que ''todos estão solidários'' para resolver a situação. ''Eu não acho que haja um mesquinho neste País que tente tratar uma questão dessas como uma questão eleitoral, até porque tem muitas vítimas, e soldados que defendiam a sociedade brasileira foram assassinados'', afirmou o presidente.
O secretário especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vanucchi, afirmou que, diante dos ataques do PCC em São Paulo, ''o País como um todo tem que se unir para dar uma resposta firme, eficiente e urgente.'' Para Vanucchi, os atentados ''já assumem características de agressão ao Estado democrático de direito''.
A Associação Paulista do Ministério Público defende a criação de leis para punir o ''terrorismo'' que atinge o Estado de São Paulo, a restrição de visitas a presos e a redução de indultos para melhorar o controle do governo sobre as penitenciárias.
Segundo o presidente da associação, o procurador João Antonio Garreta Prats, o país vive uma ''crônica de uma morte anunciada''. ''Não temos uma política nacional de segurança nem uma legislação para combater o terrorismo, não há instrumento legal para isso. E o que estamos vivendo é uma situação de perfeito terrorismo'', disse o procurador.
De acordo com ele, a facção criminosa não quer apenas mostrar força, mas causar pânico generalizado.


