Curitiba - O delegado Guilherme Rangel, da Delegacia de Crimes Contra a Economia e Proteção ao Consumidor (Delcon), afirmou ontem que os cinco sócios da agência de turismo Interlaken, que encerrou suas atividades em 26 de dezembro, deixando pelo menos 200 pessoas na mão, agiram de maneira enganosa. A operadora, com três lojas em Curitiba, comercializou serviços até a véspera do Natal. O anúncio do fechamento foi feito por meio do Facebook e surpreendeu os clientes. Havia viagens marcadas – e pagas – aos Estados Unidos, ao Canadá, ao Caribe e ao Nordeste brasileiro, entre outras.
"Com certeza foi má-fé. Uma empresa em situação difícil tem o instrumento legal da falência, da recuperação judicial. Mas eles continuaram vendendo pacotes, enganando os consumidores. Nunca foram transparentes", disse. Conforme Rangel, 95 pessoas já tinham registrado boletins de ocorrência, sendo 30 apenas ontem, volta do recesso de Réveillon. Os prejuízos ultrapassam R$ 1 milhão. "Deve passar de uma centena de vítimas hoje (ontem) mesmo. Estamos tomando os depoimentos de todas nesse momento e juntando a documentação."
Os donos da Interlaken serão interrogados nos próximos dias. "Estão sendo intimados. Achá-los não é tarefa tão fácil assim", explicou o delegado. Ele completou que pretende adotar outras medidas cautelares, mantidas em sigilo para não atrapalhar as investigações. Se condenados, os proprietários responderão pelos crimes de omissão de informações sobre riscos, estelionato, propaganda enganosa e associação criminal. Somadas, as penas chegam a 14 anos de prisão.
Em nota, a agência atribui a situação a uma série de fatores, incluindo a "prolongada crise econômica que o País atravessa", a alta do dólar e o aumento da inadimplência. "Apesar destas adversidades, a Interlaken fez todos os esforços possíveis para seguir operando", justificou. A empresa garante que os empresários envolvidos são pessoas idôneas, que residem e permanecerão em Curitiba, à disposição dos clientes e das autoridades públicas.

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