Foi importante conhecer minhas origens
Curitiba - A funcionária pública Eunice Souza Paula, de 49 anos, e a universitária Janaína Souza Paula Oberst, 20, são exemplos da importância da luta pelo reconhecimento paterno. Mãe e filha agora concordam que qualquer criança ou adolescente tem o direito de conhecer suas origens. A história delas, no entanto, teve momentos turbulentos.
Eunice conta que quando a filha nasceu tinha certeza de que o pai era o ex-noivo dela. O homem, porém, duvidava porque na época, por meio de um exame, havia descoberto que tinha apenas 0,048% de chance de ter filhos por conta de insuficiência de espermatozoides.
''Ele estava em outro relacionamento, mas eu sabia que a filha era dele. Após o nascimento ficamos sem nos encontrar por três anos. Quando ela completou o terceiro ano de vida, resolvi entrar na Justiça. Acredito que fiz a coisa certa. Era um direito dela, independentemente da minha relação com o pai dela'', aponta Eunice.
O processo arrastou-se na Justiça por três anos. Até que, por meio do exame de DNA, ficou comprovada a paternidade. Na época com 6 anos, a menina chegou a brigar com a mãe porque não queria ter outro pai. Ela reconhecia um tio como figura paterna e o verdadeiro pai a renegava até então. ''Foi ocorrendo uma aproximação, mas foi muito difícil. Entendo a dúvida que ele tinha por causa do exame de saúde dele. Mas eu tinha certeza da paternidade. Como viajava muito a trabalho, quando a Janaína completou 15 anos decidimos que ela deveria morar com o pai.''
Depois de algum tempo, o relacionamento entre pai e filha melhorou. Hoje Janaína mora em Palotina (Oeste) e cursa o segundo ano de Medicina Veterinária na Universidade Federal do Paraná (UFPR). ''Sempre que volto a Curitiba fico um pouco com a mãe e um pouco com meu pai. Agora, sei que foi importante conhecer minhas origens. Quando era mais nova fiquei brava, não queria ter outro pai. Mas aos poucos a relação foi melhorando e hoje estamos felizes'', celebra.(R.C.J.)





