Na semana passada, o tatuador Fernando Nicolini, de 42 anos, aguardava ansioso a chegada do segundo filho, William. Dentro da sala de parto do Hospital Evangélico de Londrina, a esposa Larissa estava acompanhada pelo obstetra Vinícius Fernandes e por duas doulas, assistentes de parto. Nicolini contou que o primeiro filho, Heithor, de 6 anos, nasceu por meio de cesárea. "A gente tinha preferência por parto normal, mas a posição que ele estava não permitia", lembra. "Agora, ela está realizando o sonho de dar à luz de forma natural", completa.
A sala é equipada com uma banheira, além de vários aparelhos que ajudam no trabalho de parto, como o cavalinho, espécie de cadeira de balanço que estimula as contrações, e uma bola suíça, parecida com as usadas em aulas de pilates e servem para ajudar a amenizar as dores. A supervisora de enfermagem materno-infantil e coordenadora do programa Parto Adequado na unidade, Juliana Carvalho Lourenço, conta que uma segunda sala será destinada para o parto normal. "A cesárea ainda é muito forte, porque é cultural. Não podemos forçar ninguém a ter parto normal. Porém, temos percebido um crescente interesse das mulheres pela segunda opção", relata.
Para Fernandes, o papel do médico e do hospital é incentivar o parto normal e dar suporte, mas ele disse não se tratar de uma disputa entre parto normal e cesariana. "As duas coisas andam juntas. Trabalhamos o parto humanizado nas duas modalidades. O que condenamos é a cesariana desnecessária, aquela que a mãe agenda com antecedência. O que tem que ficar claro é que não se pode optar por praticidade", condena.
Há sete meses, a psicóloga Denise Pacheco da Silva ganhou a primeira filha, Júlia, dentro da banheira da sala de partos do Hospital Evangélico. "Eu queria ser protagonista no parto dela, poder segurá-la depois do médico, viver aquele momento", diz. Denise confessa que teve medo, mas não se arrependeu da escolha. "Na época eu até parei de ler sobre o assunto, com medo de alguns relatos na internet. Mas correu tudo tranquilo. Foi a melhor coisa que eu fiz", incentiva.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quando não há indicação médica, a cesárea ocasiona riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê: aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe. Cerca de 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados à prematuridade. (C.F.)

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