A equipe de voluntário do Norte do Paraná foi unânime em afirmar o assombro de todos perante a destruição causada pela lama formada de terra e rejeitos. Se as imagens vistas pela televisão e fotografias já impressionam, presenciar tudo foi muito mais impactante. O condutor socorrista Rogério Pires Fernandes diz que, à primeira impressão, a lama parecia ter seguido o curso do rio, quando na verdade ela criou seu próprio caminho, passando por cima de tudo. Em determinado local, onde aparentemente nunca havia nada, moradores contaram que havia uma floresta. "Era algo da largura de duas avenidas Tiradentes, para se ter uma ideia. Em outro ponto havia uma esteira que carregava minério, semelhante a uma grua de construção, algo muito grande. Nós encontramos a borracha dela a oito quilômetros de distância. Foi algo muito forte. Imagina um corpo?", aponta.

Com a lama secando, as equipes agora trabalham com maquinário para escavar o material em busca dos corpos. Embora não seja totalmente descartada a possibilidade de encontrar vítimas com vida, a chance diminui dia a dia.

Por isso, resta para as equipes a tarefa de encontrar corpos e fazer a identificação. Os paranaenses inclusive participaram dessa tarefa no último dia. "A identificação agora só por amostra de DNA, então tem que ter um pessoal mais especializado. No último dia eles nos recrutaram, as próximas equipes provavelmente serão direcionadas para isso também. Lavar, separar os corpos, tentar identificar se é homem ou mulher, fazer uma triagem, fazer o acondicionamento desse material e encaminhar para os caminhões refrigerados. É um trabalho que vai demandar mão de obra", destaca o enfermeiro Adriano Porfírio Piza.

Além de socorristas, os voluntários também são professores em cursos especializados para equipes de socorro e alertam que todos que buscam essa qualificação devem estar preparados para momentos como esse. Com muitos anos de experiência, eles afirmam que nunca passaram por situação semelhante. "O máximo são acidentes de ônibus, com várias vítimas, mas são situações mais controláveis. Ali não, é algo fora do comum. Foi a maior catástrofe do Brasil até hoje, em todos os sentidos", finaliza Fernandes.

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