São Paulo - A explosão do Veículo Lançador de Satélites (VLS) durante uma simulação de lançamento na Base de Alcântara, no Maranhão, provocou ontem a morte de pelo menos 16 pessoas. De acordo com informações não confirmadas pela Aeronáutica, porém, o acidente, ocorrido por volta das 13h30, teria provocado 21 mortes e graves danos à estrutura do Centro de Lançamento de Alcântara.
Por volta das 17 horas, dois helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB) decolaram de São Luís para Alcântara. No aeroporto da capital maranhense estavam de plantão, à espera de vítimas, quatro ambulâncias da Polícia Rodoviária Federal, uma da Defesa Civil e uma da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). O comando do Exército e a Polícia Militar também foram acionados para um possível socorro médico aos atingidos com a explosão.
No fim da tarde, em uma nota lacônica, o Ministério da Defesa confirmou ''o desaparecimento de, até o momento, 16 pessoas que trabalhavam na plataforma do Centro de Lançamento''. Ainda segundo a nota, as circunstâncias do acidente estavam sendo investigadas como ''o rigor e a rapidez necessários''.
O VLS V3 estava sendo preparado para o seu terceiro vôo da base espacial de Alcântara. O protótipo que explodiu ontem foi desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica, do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos. Sua missão seria colocar em órbita, a 750 quilômetros de altura, dois satélites brasileiros: um desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e um nanossatélite da Universidade Norte do Paraná (Unopar), de Londrina.
A equipe da universidade responsável pelo projeto é formada pelo professor Fernando Stancato, o colaborador Antonio Deliberador e os alunos Tiago Prado Lone, Lucas Prado Lone e Mario Cezar Paiva. Por telefone, o professor Stancato garantiu ontem à assessoria de imprensa da Unopar que todos estão bem. Eles devem chegar hoje à noite em Londrina.
As duas tentativas anteriores em 1997 e em 1999 também fracassaram, mas os foguete explodiram no ar. Não houve vítimas. O atual lançamento estava programado para ocorrer entre segunda e sexta-feira. Até a noite de ontem, a Aeronáutica ainda não havia divulgado as causas da explosão.
Para o brigadeiro Hugo de Oliveira Piva, um dos idealizadores do VLS brasileiro, as falhas ocorridas nesse tipo de projeto são, até certo ponto, esperadas. ''Nós fizemos um programa avançadíssimo, com poucos recursos e pessoas e tivemos três falhas'', disse. ''Quantas tiveram os Estados Unidos, a Rússia ou França? Dezenas.''
De qualquer forma, Piva disse que os últimos governos não deram a devida atenção ao programa aeroespacial. ''Faltaram recursos e apoio político'', criticou. Apesar do acidente, o brigadeiro defendeu a continuidade do programa. ''Nenhum país que aspira ser alguma coisa no mundo pode abrir mão de programas avançados na área aeroespacial, de armamento, de eletrônica e de química fina.''

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