Fogo leva destruição à região Sudoeste
Paulo Pegoraro
De Rio Bonito do Iguaçu
O fogo está consumindo rapidamente, e sem possibilidades de contenção, uma das principais reservas de matas do Estado, de 3,2 mil hectares, na região de Rio Bonito do Iguaçu (200 quilômetros ao sul de Cascavel), próxima ao Rio Iguaçu. Também estão sendo dizimadas matas nos assentamentos Ireno Alves dos Santos e Marcos Freire, onde estão instaladas 1.500 famílias de lavradores. Muitos barracos de lona preta foram queimados, além de outros bens, inclusive equipamentos agrícolas.
O fogo começou na terça-feira, ganhou intensidade no dia seguinte e ontem tornou-se incontrolável, apesar da mobilização de grande contingente de bombeiros, soldados do Exército, funcionários de prefeituras e empregados da empresa Araupel, de Quedas do Iguaçu. A empresa é dona de extensas áreas de preservação e reflorestamento. As matas espalham-se pelas duas margens da BR-158, cercando inclusive a hidrelétrica de Salto Santiago.
Técnicos da Gerasul, que opera a usina, consideravam a possibilidade da linha de transmissão ser afetada, o que poderia resultar em blecaute em regiões consumidoras da energia, no Leste do País. Segundo o capitão Carlos Alberto da Silva, de Pato Branco, estão mobilizados 41 bombeiros de várias cidades, 10 soldados, 15 funcionários municipais e 100 homens da Araupel.
Operam dois barcos, duas ambulâncias, 10 carros utilitários, três caminhões-pipa e oito máquinas pesadas, que abrem aceiros deixando faixas no terreno sem vegetação para impedir que o fogo se alastre. O capitão Silva estimou ontem à tarde que cerca de 1,5 mil hectares de florestas e área de reflorestamento tenham sido destruídos pelo fogo.
Os homens usam basicamente a técnica do isolamento dos focos, com os aceiros, apagadores manuais e bombas de água costais, porque não há possibilidade de entrar com caminhões-pipa. Além disto, é impossível aproximar-se muito, por causa da altíssima temperatura. Por isso, boa parte do trabalho é feita à noite.
Paulo José da Silva, 35 anos, é um dos assentados que tiveram barracos queimados. Ele conseguiu salvar apenas algumas roupas. Paulo mandou a mulher e os cinco filhos para Foz do Iguaçu. Ele revelou que exatamente ontem iniciaria a construção de uma casa, de madeira.
Outro assentado, Daniel Cardoso dos Santos, 55 anos, seis filhos, perdeu inclusive as madeiras já serradas, para a casa que faria, além de animais e lavoura de milho. Ele perdeu também um trator e uma carregadeira nele acoplada, que haviam sido deixados no local por um dono de serraria. Imaginava chegar no Natal com tudo bem arrumadinho aqui, e morando na casa. Agora vou ter que começar tudo de novo, disse desconsolado.
Algumas famílias foram retiradas da área pelo Rio Iguaçu em barcos porque ficaram cercadas pelo fogo. Até o início da noite de ontem não havia registro de mortes, embora muitas pessoas tenham sofrido ferimentos leves. O prefeito de Rio Bonito do Iguaçu, Leonel Schmitt (PMDB), decretou situação de calamidade no município, e está pedindo auxílio à Defesa Civil e outros municípios.





