José Paulo Lacerda/AE




Foto do satélite NOAA mostra extensa área de Roraima coberta pela fumaça (áreas claras). As áreas onde ocorrem os incêndios esparsos em Roraima e Guiana estão indicadas por ‘Hit Spots’. Bombeiros chegam de todo o Brasil e Exterior para combater o fogo. Na foto inferior, um grupamento caminha em direção a focos na região de Vila Apiaú

O governo federal anunciou ontem, em Brasília que o megaincêndio de Roraima já queimou 3% da área do Estado, incluindo terras de plantio e de floresta amazônica. A área (6.720 quilômetros quadrados) equivale a 4,5 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. O número é bem menor do que as estimativas de área queimada divulgadas pelo governo de Roraima (52 mil quilômetros quadrados) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (27 mil quilômetros quadrados a 37 mil quilômetros quadrados).
O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Martins, reconheceu que é impossível dizer com exatidão o tamanho da área queimada, o que depende de avaliações que serão feitas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na próxima semana.
Na entrevista coletiva concedida ontem por Martins e pelo secretário de Políticas Regionais, Fernando Catão, ficou evidente que os órgãos do governo trabalham com informações contraditórias sobre o incêndio. Catão disse que o ideal para combater o fogo é um contingente de 700 a 800 bombeiros especializados em incêndio florestal. Relatório divulgado pelo Ibama, entretanto, afirma que o número de bombeiros necessários é 20% maior, ou seja, 960 homens.
Martins também afirmou que aldeias indígenas de Roraima não estão ameaçadas, apesar de haver ‘‘focos pequenos dentro da área ianomami’’. No entanto, dois dias antes, o administrador da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Roraima, Walter Blos, disse que a situação é ‘‘preocupante porque poderá atingir aldeias’’, principalmente em São Marcos (onde vivem índios taurepang e makuxi) e Apiaú (ianomami). Para Martins, ‘‘não há nenhuma contradição’’. Já para Catão, existem ‘‘pequenas contradições’’ que serão solucionadas.
O presidente do Ibama rebateu críticas da morosidade do governo no combate ao incêndio que assola Roraima desde o mês passado. Ele disse que a situação só se agravou na semana passada. A afirmação contrasta com a posição do governo de Roraima, que desde o início do mês vem anunciando que o incêndio estava fora de controle e apelando para que o governo federal tomasse alguma providência.
Para Martins, o megaincêndio de Roraima não poderia ser evitado. Segundo ele, o megaincêndio se formou porque as queimadas na região fugiram de controle devido à seca prolongada pelo fenômeno El Ni¤o, à baixa umidade e aos fortes ventos. ‘‘Casos semelhantes já aconteceram na Califórnia e Austrália’’, disse.
Mesmo assim, Martins disse que o governo vai baixar decreto prevendo maior controle de queimadas na região. ‘‘Nós temos de fazer um esforço sobretudo de educação’’, afirmou.

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