Para os leigos no assunto, a afirmação pode parecer controversa, uma vez que os incêndios florestais sempre são vistos como impactantes para o meio ambiente. ''Considerando o ambiente floresta, o fogo é um elemento natural, assim como a própria árvore, o bicho, o solo. Partindo desse pressuposto, o fogo pode provocar alterações benéficas ou uma tragédia'', avaliou Batista. Em relação ao cerrado, ele explicou que as espécies têm tempo de vida curto -de cinco a seis anos. Ao impedir os incêndios naturais nessas áreas, o material que vai se acumulando pode provocar um incêndio de proporções muito maiores.
Em unidades de conservação dos Estados Unidos, o manejo da vegetação a partir de queimadas controladas é muito comum, lembrou Batista. No Brasil, a prática está ligada ao manejo da agricultura e, ainda assim, com muitas restrições. ''Ao invés de normatizar (o manejo do fogo), com base na técnica, nas pesquisas, a legislação dificulta se tirar proveito para aquele ambiente -como em pequenas propriedades- que teria manejo facilitado'', apontou. Batista lembrou, ainda, que há um documento da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em vias de ser publicado, que trata da questão.
O secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rasca Rodrigues, disse que não descarta, por completo, a possibilidade de se adotar a queima controlada no Parque Estadual de Vila Velha para manejo da vegetação, mas admite ver a prática com ressalvas. ''Existem diversas maneiras de se fazer isso mecanicamente'', destacou.
Quanto às queimadas para manejo agrícola, Rodrigues afirmou que os órgãos ambientais paranaenses trabalham sempre na perspectiva de reduzir esse tipo de uso. ''A secretaria combate qualquer iniciativa de usar fogo porque as emissões (de gases poluentes) estão por aí'', acrescentou.(A.L.)

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