Fogo destruiu madeireira; socorro só chegou em 1h40
Orlando Michels, 54 anos, considera-se um ex-empresário. Ele está longe de se aposentar, mas um incêndio no dia 6 de maio deste ano que destruiu os 560 metros quadrados de sua madeireira em Campina Grande do Sul, o obrigou a refazer os planos de vida. Sou um ex-empresário. Não tenho mais estrutura, não tenho mais capital, não posso pensar mais em nada, desabafa. O terreno da empresa foi colocado à venda para pagar dívidas com impostos e fornecedores. Michels diz que não tinha seguro do imóvel, pois no caso de madeireiras, ele justifica que as parcelas são caras.
A maior carência, no entanto, não era a ausência de uma proteção patrimonial. Michels acredita que se o município, de 34 mil habitantes, tivesse uma unidade do Corpo de Bombeiros, a história seria diferente. Se a cidade tivesse o Corpo de Bombeiros, posso afirmar, sem nenhuma dúvida, que daria para salvar uns 80% da madeireira. A unidade de Curitiba que atende a região de Campina Grande do Sul e Quatro Barras fica sediada no bairro do Bacacheri. Como não havia viaturas no momento em que fogo começou, segundo Michels, os bombeiros tiveram que deslocar guarnições de outras companhias. A partir do chamado que a gente fez, eles demoraram uma hora e 40 minutos para chegar.
O fogo que devastou a madeireira teria sido causado por um morador das proximidades. Orlando Michels conta que doa restos de material para a comunidade. Um deles se ofereceu para cortar o mato que tomava conta de parte do terreno onde fica a empresa. Ele ateou fogo no capim para apressar o serviço. O morador não contava com fagulhas que continuaram acesas. Com a ajuda do vento, Michels diz que elas atingiram os montes de serragem. O prejuízo do incêndio foi de R$ 80 mil. Naquela semana do início de maio, com a greve dos caminhoneiros, o pátio da madeireira foi usado para guardar 6 mil caixotes que seriam usados para acondicionar bananas. Tudo virou cinzas, lamenta Michels. (D.V.)





