A demora na chegada dos bombeiros, a ausência de escada magirus nos primeiros carros de socorro e o número reduzido de hidrantes no Largo da Ordem atrasaram o controle do incêndio que destruiu o Mini-Shopping da Ordem na noite de anteontem, em Curitiba. Por pouco, o fogo não se alastrou pelo Museu de Arte Sacra da Igreja da Ordem, a mais antiga da cidade, e pelo Teatro Lala Schneider, que estava lotado para uma das últimas apresentações da peça ‘‘Cenas Urbanas de Arrepiar’’.
O incêndio levantou a discussão sobre as condições de segurança no setor histórico da cidade. O reitor da Igreja da Ordem, monsenhor Luiz de Gonzaga Gonçalves, alertou que é preciso realizar uma revisão completa do sistema de energia elétrica na região. ‘‘Isso aqui é um barril de pólvora, quando deveria ser conhecido como um cartão postal da cidade’’, comentou.
Monsenhor Gonzaga pediu mais segurança no local e classificou o Largo da Ordem como um ponto de encontro de ‘‘bêbados, drogados e ladrões’’. Em tom de desabafo, Gonzaga disse que luta pela restauração da igreja há cinco anos, mas está sempre enfrentando a ‘‘burocracia’’ da prefeitura que, segundo ele, alega não ter dinheiro para promover as reformas.
Na madrugada de quinta para sexta-feira, o mini-shopping sofreu arrombamento. As 25 lojas do centro comercial foram invadidas por desconhecidos que furtaram desde roupas até peças de artesanato. O lojista Marcos Roberto Furlanetto, 20 anos, conta que os ladrões quase limparam o seu estoque de roupas. Com o fogo na noite seguinte, ele estimou ter perdido cerca de 500 peças de roupas.
O dono do estacionamento ao lado do mini-shopping, Carlos Costa, contou que o fogo começou por volta de 21h30, mas que o primeiro carro de bombeiros levou cerca de 20 minutos para chegar. Para completar, o veículo não tinha escada magirus, nem ferramentas para arrombar a porta. Um dos caminhões chegou a bater no histórico bebedouro de pássaros, que fica no centro do Largo da Ordem, danificando-o.
Depois de mais uns 20 minutos de espera, chegaram os carros equipados para alcançar o local do incêndio. Mas a essa altura o shopping estava totalmente destruído. ‘‘Em toda essa área central do Largo só tem um hidrante. E se os bombeiros tivessem chegado antes, não haveria tanto prejuízo’’, disse Costa.
No Teatro Lala Schneider, cerca de 200 pessoas assistiam à peça ‘‘Cenas Urbanas de Arrepiar’’. O contra-regra Raul Seixas Imbellone, 18 anos, conta que a platéia começou a ouvir estouros que pareciam fogos de artifício, mas foi uma das atrizes que percebeu o incêndio ao sair de cena. Segundo Imbellone, a platéia saiu sem tumulto.
Uma das maiores preocupações dos bombeiros no momento era de evitar que o fogo chegasse à Igreja da Ordem, a mais antiga ainda existente na cidade. A construção data de 1737, foi restaurada em 1880 e havia sido pintada recentemento através do projeto ‘‘Pintando o Brasil’’, da Coral Tintas. A parede que fica junto ao shopping é do Museu de Arte Sacra, que possui mais de 800 imagens, algumas do século 16, do período em que Curitiba ainda não passava de uma vila.
Os lojistas que perderam suas mercadorias no incêndio passaram a manhã de ontem em frente ao mini-shopping tentando contabilizar os prejuízos. A comerciante de molduras Jane Marangoni, 40 anos, perdeu aproximadamente R$ 10 mil em molduras usadas em telas de pinturas.
As peças foram queimadas com gravuras, pinturas e fotografias antigas de clientes. ‘‘Não vou ter como devolver nada’’, lamentou Jane. A preocupação dos comerciantes era saber se o seguro do prédio do mini-shopping também poderia cobrir os estragos provocados nas lojas. Jane Marangoni lembra que, há um ano, a administração do mini-shopping pediu que os comerciante relacionassem os bens de cada loja para incluir numa apólice de seguros.Albari RosaCombate demoradoIncêndio na noite de sexta-feira no Mini-Shopping da Ordem, em Curitiba: atraso dos bombeiros e falta de escadaMônica Kaseker
e Dimitri do Valle

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