Arquivo FolhaAmeaçaTécnicos alertam que os ataques à floresta amazônica podem significar uma catástrofe ecológica com sérias consequências para o planeta A biodiversidade e o equilíbrio ambiental da parte mais ao norte da Amazônia brasileira, no Estado de Roraima, estão sendo seriamente comprometidos por um enorme incêndio que se estende no tempo. Fazendeiros, colonos e índios perderam o controle das queimadas em suas áreas de cerrado e lavoura e o fogo se alastra, facilitado pela estiagem mais rigorosa da história da região, dizimando a fauna e a flora.
O pesquisador Reinaldo Imbrozio Barbosa, 38, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), em Boa Vista (RR), considera a perda do carbono estocado na cobertura vegetal da região a consequência mais grave do fogo. ‘‘O carbono está sendo completamente liberado para a atmosfera na forma de gases do efeito estufa, principalmente o CO2 (carbono) e CH4 (metano) , declarou.
Vários rios, igarapés e lagos da região estão completamente secos. O rio Branco, o maior da região, está com profundidade média de 40 cm. Em vários trechos, os bancos de areia estão a céu aberto, sendo possível atravessar o rio a pé.
‘‘O que está ocorrendo aqui é grave, quando os estudos sugerem que a água depositada na Amazônia seja responsável pelo ciclo hidrológico de quase toda a América do Sul e um pedacinho do Oceano Atlântico, disse. Ciclo hidrológico são as transformações pelas quais passa a água, em seus diferentes estados - sólido, líquido e gasoso.
O pesquisador critica a ocupação desordenada da Amazônia, que está provavelmente na origem do gigantesco incêndio. ‘‘Para o meio ambiente, pode significar uma catástrofe ecológica com sérias consequências para o planeta por causa da biodiversidade e dos ciclos hidrológico e do carbono.
Estado de Roraima, com 225 mil km2, é coberto por florestas tipicamente amazônicas e suas variações. São quatro tipos de florestas (ombrófila de baixa e média altitude, ombrófila aberta e estacional semidecídua), duas savanas (estépica e do baixo Sumuru) e uma cobertura florestal (vegetação dos Tepui), no extremo norte, que não existe em outra região do planeta.
Imbrozio Barbosa, que há três anos realiza pesquisas sobre a concentração de carbono nas savanas, disse que o efeito El Ni¤o deve ser encarado apenas como um efeito maximizador da situação no Estado. O pesquisador disse que 60% das savanas, cuja área total é de 37,8 mil km2 (16% da área do Estado), foram devastadas pelo fogo no período de junho a janeiro. ‘‘O que eu esperava que queimasse no ano inteiro, queimou em oito meses, o que me leva a estimar, por causa das consequências do El Ni¤o, que 80% das savanas serão queimadas. Estou sendo otimista’’, disse.
Os focos de incêndio que se formaram na floresta surgiram primeiramente nas savanas, onde vivem 22 mil índios. Cerca de 6% das savanas já sofreram troca de uso da terra. Nelas são plantados arroz e soja e formadas pastagens para gado. Em Roraima, já foram catalogadas 492 espécies nativas de aves, e 49 mamíferos terrestres.

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