O prédio administrativo do Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio, onde pousam e decolam diariamente 56 vôos da ponte-aérea Rio-São Paulo, foi praticamente destruído, ontem, em consequência de um incêndio que começou durante a madrugada e demorou cerca dez horas para ser controlado. Dezoito pessoas ficaram levemente feridas. De acordo com o presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Adyr Silva, a reconstrução do Santos Dumont deverá demorar um ano. Segundo ele, o prejuízo com o incêndio está avaliado entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões. ‘‘O aeroporto continua inteiro, mas o terminal de passageiros foi muito afetado’’, admitiu. O chefe da Diretoria de Eletrônica e Proteção de Vôo (DEPV), major-brigadeiro Normando Araújo de Medeiros, chegou a dizer que o prédio deveria ser demolido. Pela manhã o aeroporto ficou sob colunas de fumaça de até 700 metros de altura.
O fogo começou a se alastrar a 1h05, destruiu a torre de controle, as lojas, restaurantes e unidades da Aeronáutica, entre elas a sede do Departamento de Aviação Civil (DAC), onde ficam guardados processos sobre acidentes aéreos. O incêndio teria começado no térreo do prédio, em uma locadora de automóveis, quando cerca de 30 pessoas ainda estavam no saguão do aeroporto. De manhã, houve risco de explosão: as labaredas chegaram próximo aos botijões de gás da cozinha do restaurante 14 Bis, mas o fogo foi debelado. Todos os vôos entre Rio e São Paulo foram transferidos para o Aeroporto Internacional do Rio, Galeão, na Ilha do Governador, zona norte da cidade. Os vôos operados no Aeroporto Santos Dumont continuarão partindo e chegando do Galeão pelo menos até terça-feira.
Na segunda-feira, às 15 horas, será realizada, uma reunião no prédio da Varig com representantes do DAC e das empresas aéreas para avaliar as condições de segurança do prédio. Estuda-se a possibilidade de se colocar uma torre de controle móvel - como as usadas durante as viagens do presidente da República - para que o aeroporto funcione provisoriamente. Ao todo, o Santos Dumont opera 291 pousos e decolagens domésticas.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio, coronel Rubens Jorge Ferreira Cardoso, disse que a estrutura do prédio não foi abalada. Cardoso disse ainda que não havia no prédio nenhum equipamento automático de combate ao fogo, como detetores de fumaça ou sprinklers (equipamentos que esguicham água e são acionados automaticamente com a elevação da temperatura). Segundo ele, o prédio não dispunha desses equipamentos quando construído, em 36. Ele não soube dizer se a adaptação do aeroporto às novas regras de segurança são obrigatórias por lei.
Os únicos equipamentos de combate a incêndio no Santos Dumont eram extintores e mangueiras, mas o aeroporto contava com o auxílio de uma brigada de incêndio. Quatro andares do prédio, onde funcionavam o DAC, o DEPV e a Diretoria de Material da Aeronáutica, além de lojas comerciais, agências bancárias e três restaurantes, foram destruídos. O trabalho dos bombeiros - que chegaram a suspeitar de um curto-circuito nas caixas eletrônicas que funcionavam no saguão do aeroporto - foi dificultado porque não havia água na cisterna, nem nos hidrantes do aeroporto.Incêndio começou durante a madrugada de ontem e demorou cerca de dez horas para ser controlado pelos bombeiros

Otávio MagalhãesDestruiçãoA fumaça escura saindo do prédio do Aeroporto Santos Dumont atingiu uma altura de mais de 700 metrosAgência Estado

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