Fogo destrói 150 ha de
mata nativa de fazenda
Funcionários do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) constataram ontem a queimada de cerca de 150 hectares de mata nativa alterada da ‘‘Área dos Quatrocentos’’, uma fazenda de 440 hectares no município de São Pedro do Iguaçu (75 quilômetros a oeste de Cascavel). A fazenda, ocupada há 2 anos por 36 famílias de sem-terra, está em processo de desapropriação pelo Incra, e nela já haviam ocorrido grandes queimadas anteriormente, o que motivou ações criminais, contra os sem-terra, e contra o proprietário, supostamente conivente com o crime ambiental.
A chefe do IAP em Toledo, Glória Genari Pozzobon, comunicou a queimada à tarde à promotora substituta Maria Luiza Correia de Mello, da Comarca de Toledo. Também houve comunicação ao procurador da República em Cascavel, Celso Antônio Três, por causa do processo de desapropriação no âmbito federal. Não há ainda identificação dos responsáveis pela queimada, nem comprovação definitiva de que o fogo tenha sido ateado propositadamente.
Em outubro do ano passado, a Promotoria do Meio Ambiente de Toledo já havia denunciado à Justiça lavradores, o MST e o fazendeiro, Anélio Rotta, pela queima de 60 hectares de floresta de preservação obrigatória. A promotora titular, Luciana Moreira, argumentou que Rotta poderia ter estimulado a destruição, para abrir espaços para plantio, enquanto não se definisse a desapropriação.
Segundo Luciana, Rotta, que já havia sido acusado por desmatamentos anteriores, ‘‘estranhamente nunca pediu reintegração de posse’’. Em sua denúncia, ela relacionou trinta lavradores, cujos nomes conseguiu levantar. Em relação ao MST, Luciana Moreira argumentou que a organização é ‘‘responsável’’ pelas ações das famílias. Antes da entrada dos sem-terra, 70% da fazenda era coberta por mata primária alterada, segundo o engenheiro florestal José Volney Bisognin, do IAP. (P.P.)

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