Foco deve ser a prevenção de crimes
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sábado, 08 de dezembro de 2012
Lucio Flávio Cruz <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - O conceito de Polícia Comunitária surgiu no Japão e ganhou visibilidade nos Estados Unidos. No Brasil, o maior exemplo é a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro.
Para o professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Pós-Doutorado em Sociologia Jurídica e Criminologia pela Universidade de Barcelona, Rivail Rolim, o sucesso do modelo que está sendo implantado pelo governo do Paraná com as Unidades do Paraná Seguro (UPS) vai depender de uma polícia realmente integrada com a comunidade.
''A presença do policial tem que ser efetiva e não circunstancial, quando a viatura passa pelo bairro e vai embora. Ele tem que estar integrado na vida da comunidade'', explicou.
Ainda de acordo com o professor, o conceito de polícia comunitária leva a uma atitude pró-ativa dos policiais, de prevenção de crimes. Outro ponto importante é criar uma relação de confiança com os moradores. ''Se o cidadão tiver medo do policial ele não vai levar à polícia os problemas da região. É fundamental que as dificuldades sejam discutidas entre todos na busca por soluções'', frisou Rolim.
Outro ponto determinante é que todas as ações desenvolvidas no bairro sejam transparentes. ''Os moradores têm o direito de debater com a polícia as melhores estratégias a serem desenvolvidas na localidade'', colocou Rivail Rolim.
A formação dos policiais que vão trabalhar nas UPSs precisa ser diferenciada e específica para o sucesso da relação com os moradores. ''Nesta nova concepção de segurança, o policial precisa ter desenvolvido valores de cidadania, políticas públicas de segurança e saber que o trabalho deve envolver a comunidade e ser transparente. Senão não surte efeito'', esclareceu o professor.
Por outro lado, Rolim acrescenta que nos bairros onde estão sendo instaladas as Unidades não existem apenas problemas de segurança e por isso a polícia não vai resolver tudo. O professor ressalta que é necessária a presença de vários equipamentos sociais nestas localidades.
''Não adianta ter polícia efetiva na região e criança e adolescente andando pelas ruas sem creche ou escola. Isso vai potencializar problemas de segurança no futuro'', colocou. ''Quando o Estado não está presente, a polícia não dá conta de resolver todos os problemas e aí é que vem a sensação de insegurança''. O professor acredita, porém, que o modelo de Polícia Comunitária é o mais indicado para buscar uma diminuição dos índices de criminalidade. ''A polícia que atuava nos anos 90 como se estivesse em uma guerra não cabe mais'', ressaltou Rolim.
A presidente do Conselho de Segurança de Londrina (Conseg), Gabriela Fontoura, entende que todo investimento em segurança pública é válido e que a tendência é que os índices de violência na zona sul diminuam. Sobre a escolha do União da Vitória para instalar a primeira UPS de Londrina, ela acredita que a definição foi baseada em dados técnicos da polícia. ''A cidade tem vários pontos críticos e por isso é difícil de escolher'', argumentou.


