São Paulo, 9 (AE) - O presidente do Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Boris Tabacof, acredita que as mudanças necessárias para recolocar o desenvolvimento como meta da política econômica já foram feitas e estão avançando de forma gradual. A indicação dos ministros Clóvis Carvalho (Desenvolvimento) e Pratini de Moraes (Agricultura) teria mudado o perfil da econômica equipe.
"Hoje, a equipe econômica não é mais centralizada, de forma quase total como era, no Ministério da Fazenda. A equipe não é mais foco de poder, como era antes", disse Tabacof, satisfeito com essa ampliação do "foco de poder".
Segundo ele, ao alterar a política cambial e estabelecer a política de metas de inflação, o governo produziu uma alteração importante em relação à política anterior. Agora, seriam necessárias "mudanças explícitas, não implícitas" de estímulo ao crescimento. "A estabilidade é condição necessária, mas não suficiente para o crescimento", disse. "É hora do País voltar a crescer", emendou Boris Tabacof.
Dentre essas mudanças, ele espera que o governo anuncie rapidamente medidas de estímulo às exportações, que seriam o caminho para a retomada do crescimento. "Se esse elo for puxado
a corrente vem atrás", acredita o empresário. As reuniões semanais do grupo de ministros que discute o "desenvolvimento" seriam uma demonstração de que o foco de discussão mudou.
"O Brasil mudou em seis meses e continua em processo de mudança", disse Tabacof, ponderando que essa transformação não foi feita por "choques ou pacotes", como acontecia no passado, o que não é entendido por muitas pessoas. "Tem coisas amarradas na mente das pessoas. As mudanças já estão acontecendo e as pessoas ficam trabalhando com situações já ultrapassadas", afirmou, negando-se a comentar diretamente as críticas do ex-ministro Luís Carlos Mendonça de Barros ao governo.

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