Foco de malária ameaça aldeia indígena
A Divisão de Vigilância Epidemiológica (Divep) da Fundação Nacional de Saúde (FNS) inicia hoje um trabalho de borrifação contra a malária na aldeia indígena Avá-Guarani da Reserva Ocoí, em São Miguel do Iguaçu (43 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu). Desde quarta-feira passada, foram confirmados cinco casos em índios de 1 a 17 anos.
Os agentes temem que a doença seja transmitida para outros membros da tribo, composta por cerca de 420 pessoas e situada a beira do Lago Itaipu, o que facilita a proliferação da malária. Diante desse quadro, a FNS designou 12 técnicos para espalhar o veneno contra o mosquito Anopheles darlingi (transmissor da moléstia) nas áreas mais críticas da reserva, de 231 hectares. A doença foi levada para a reserva Ocoí por uma índia contaminada pelo mosquito numa tribo Avá-Guarani, em Hernandárias (distante 20 quilômetros da fronteira do Brasil com o Paraguai), informou João Medina, agente da Divep. Não há vacina para a malária. Seus principais sintomas são febre alta e dores na nuca, explicou Medina, frisando que os cinco índios já foram medicados e estão bem. -
Ontem, uma equipe da Divep deu continuidade ao mapeamento da doença. Em uma semana formam coletadas 190 amostras. Destas, 100 já tiveram os resultados divulgados: 5 positivos e 95 negativos. A equipe, deslocada de Curitiba e Foz do Iguaçu para São Miguel do Iguaçu, montou uma base da FNS na aldeia com objetivo de facilitar a realização dos exames.
Pesquisa A FNS vai investir no início do próximo ano R$ 624,7 mil em projetos de pesquisas de melhoria das condições de saneamento básico no País. As pesquisas serão desenvolvidas por universidades e pela própria FNS nas áreas de abastecimento de água, esgotamento sanitário, gestão em sa© úde pública, instalações sanitárias domiciliares, unidades habitacionais e saúde indígena, anunciou o presidente da Fundação, Mauro Ricardo Costa.
O objetivo desse trabalho é estimular tecnologias de baixo custo e eficientes que possam ser aplicadas em áreas de interesse epidemiológico no setor de saneamento, para reduzir os índices de mortalidade infantil e de doenças transmitidas por água contaminada, entre as quais a cólera, hepatite, malária, esquistossomose, diarréia, verminoses e a doença de Chagas.
As tecnologias que surgirem a partir das pesquisas serão aplicadas prioritariamente em pequenos municípios e áreas indígenas, explica Costa. Entre as universidades envolvidas nas pesquisas estão a de Brasília, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Duque de Caxias (RJ) e Paraíba, além da Prefeitura de Vitória (ES).
Na Universidade de Brasília (UnB), o Departamento de Engenharia Civil e Ambiental desenvolverá uma tecnologia de tratamento e desinfecção de água para pequenas localidades.
O Instituto Universidade Popular da Baixada, em Duque de Caxias (RJ), vai desenvolver técnicas para a construção e adaptação de unidades de sa© úde às necessidades e características dos povos indígenas.





