FMI vê perspectivas incertas para o Japão
Tóquio, 13 (AE-DOW JONES) - A junta de diretores do Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que as perspectivas para a economia do Japão "continuam incertas". Apesar da forte retomada no primeiro trimestre, "uma recuperação sustentada não está garantida", segundo o relatório sobre a economia japonesa divulgado pelo Fundo em Washington.
O Japão anunciou hoje que sua economia nos três primeiros meses do ano cresceu mais do que o previsto originalmente. O Produto Interno Bruto (PIB) subiu 2% (dado revisado) em termos reais, acima, portanto, da estimativa original de crescimento de 1,9%. O dado projeta um crescimento anualizado de 8,1%, acima também da estimativa original de expansão de 7,9%, segundo a Agência de Planejamento Econômico.
A economia do Japão teve fraco desempenho em boa parte da década de 90. Desde a explosão da bolha no preço dos ativos em 1991, a economia do Japão cresceu a uma taxa média de 1% ao ano, num forte contraste com o rápido crescimento das décadas anteriores.
O relatório do FMI sobre o Japão mostra também que sua junta de diretores está dividida quanto à conveniência da continuidade das intervenções do governo japonês no mercado de câmbio para evitar uma maior valorização do iene. "Muitos diretores entendem que um substancial fortalecimento do iene poderia prejudicar a recuperação e acreditam que as autoridades deveriam
no curto prazo, opor resistência a uma pressão de alta da moeda", diz o documento.
"No entanto, alguns diretores entendem que a recente pressão de alta do iene foi o resultado natural de melhores perspectivas para o Japão e que a intervenção destinada a resistir a esta resposta do mercado poderia interferir no processo de ajuste de grandes desequilíbrios em contas correntes globais, assim como na execução de necessárias reformas estruturais domésticas", prossegue o documento.
No que diz respeito ao campo fiscal, a maior parte dos diretores do FMI afirmou que o atual estímulo fiscal deve ser sustentado até que uma recuperação da demanda privada esteja fortalecida. Alguns dos diretores sugeriram que um "substancial" orçamento suplementar será necessário no ano fiscal de 1999 para garantir que o estímulo fiscal não seja retirado antes do tempo devido. O FMI elogiou o banco central do Japão por seu compromisso com a manutenção de uma "política de taxa de juro zero".
A política monetária está dando "um apoio fundamental" à economia, ajudando a aliviar temores imediatos de deflação, diz o FMI. "Na eventualidade improvável de que o declínio de preços se intensifique significamente, vários diretores sugeriram que o banco central do Japão precisará encontrar meios para aplicar estímulos monetários adicionais", acrescenta o relatório.





