São Paulo, 02 (AE) - Um relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional) defende que a Argentina adote o dólar como moeda nacional para evitar uma desvalorização e reduzir o risco-país. O relatório "Cada país deve ter sua própria moeda? Os prós e os contras da dolarização", elaborado pelos economistas do FMI, foi apresentado ao governo argentino e publicado hoje pelo jornal Página/12, de Buenos Aires.
O documento afirma que a dolarização seria compatível "com os acordos" do Mercosul e "não alteraria significativamente a relação" entre Brasil e Argentina, os principais parceiros comerciais do bloco. De acordo com o Página/12, o ministro da Economia da Argentina, José Luis Machinea, faz objeções à dolarização porque a medida geraria "uma situação insustentável" no Mercosul.
Segundo o jornal, o documento faz uma "apologia" da dolarização aplicada ao caso argentino e, embora pese as vantagens e desvantagens, mostra-se absolutamente favorável à dolarização na Argentina, onde vigora desde 1991 a paridade entre o peso e o dólar. "A persistência de uma diferença entre as taxas de juro em pesos e em dólares evidencia que ainda se percebe o risco do fim do câmbio fixo", diz o documento.
Mas a dolarização, "ao eliminar a incerteza no câmbio, promete reduzir o risco-país e baixar as taxas de juro", afirma o estudo preparado pelos Departamentos de Pesquisa e do Hemisfério Ocidental e aprovado por seus respectivos diretores, Michael Mussa e Claudio Loser. Os membros da comissão executiva do FMI receberam o relatório de 50 páginas no dia 2 de novembro passado. Foram enviadas cópias também para o representante argentino no FMI, Guillermo Zoccali, e o ministro José Luis Machinea, diz o jornal.
O informe indica que, no caso argentino, o "risco-país poderia cair à metade se fosse eliminado o risco da desvalorização", permitindo obter uma melhor taxa de juro para o refinanciamento da dívida argentina. O FMI acha que a medida também "promoveria o desenvolvimento financeiro e dos investimentos", em especial se fosse implementada "não como uma ação unilateral, mas por meio de alguma forma de acordo monetário com os EUA".
Entre as desvantagens, o organismo afirma que a fórmula "não elimina o risco de uma crise externa, porque os investidores talvez se retirem ao perceber problemas na solvência fiscal ou no sistema financeiro". Contudo, a medida "promete um humor do mercado menos volátil", já que a eliminação do risco cambiário tende a "limitar a amplitude da crise", diz o relatório.
Outra desvantagem seria a perda da receita financeira que o país obtém com a aplicação das reservas do Banco Central, mas o documento ressalva que os EUA poderiam compensar a Argentina no âmbito de um tratado de associação monetária com os EUA.