FMI prevê retomada do crescimento brasileiro para o 2º semestre
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Monica Yanakiew 
Washington, 20 (AE) - A economia brasileira retomará seu crescimento a partir de julho, disse hoje o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michael Mussa. No próximo ano, acrescentou, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil aumentará 3,7%. As previsões otimistas de Mussa foram feitas durante a divulgação de dois volumes de "Perspectivas para a Economia Mundial", nos quais o FMI considera superada a pior parte da crise financeira internacional. Mas o economista alerta que o Brasil ainda viverá um período difícil, até começar a superar a recessão que enfrenta desde julho passado.
Em 1999, disse Mussa, o PIB brasileiro sofrerá uma queda de 3,8%. "Mas achamos que na segunda metade deste ano teremos indícios claros de que a economia brasileira deixará de encolher e começará até a se expandir", acrescentou. Segundo Mussa, nesse segundo semestre o FMI também espera assistir a uma queda das taxas de juros nominais no Brasil "bem abaixo dos níveis atuais". E isso contribuirá para a retomada do crescimento da economia brasileira no ano 2000.
A entrevista de Mussa e a divulgação do relatório sobre a economia mundial ocorreu às vésperas da reunião de Primavera do FMI, que começa no próximo domingo. No encontro anterior, em outubro passado, o Brasil foi o foco das atenções, mas por motivos diferentes.
Empenhado em defender o real de um novo ataque especulativo, o Brasil estava em meio às negociações com o FMI, para obter um pacote financeiro internacional de US$ 41,5 bilhões. Na ocasião, o próprio Mussa provocou um debate ao afirmar que, na sua opinião, a moeda brasileira deveria ser desvalorizada em 25% - uma proposta que o governo brasileiro terminantemente recusou.
Tão logo foi fechado, o acordo teve que ser revisto, porque em janeiro passado o governo brasileiro rompeu a promessa feita ao FMI e mudou sua política cambial. Mas Mussa, hoje, reviu a sua posição anterior. Segundo ele, o Brasil adotou a política correta ao fazer o máximo para defender o real, antes de optar pela desvalorização. "A defesa da política cambial brasileira pode muito bem ter contribuído para o sucesso posterior da desvalorização do real", disse.
Segundo ele, isso levou o Brasil a uma recessão, que eliminou boa parte das pressões inflacionárias, que poderiam ter surgido com a desvalorização. "Acho que o Brasil se saiu melhor dessa crise do que teria se tivesse jogado a toalha em outubro e novembro do ano passado, quando o mercado financeiro estava muito tenso", acrescentou.
Segundo Mussa, o Brasil logrou uma "uma recuperação signifiva da confiança dos mercados financeiros" em sua economia. Ele lembrou que depois da revisão do acordo com o FMI, o real recuperou metade do valor que tinha perdido desde janeiro
permitindo ao governo reduzir para 39% as taxas de juros que estavam em 45%.
O relatório do FMI alerta para os riscos das elevadas taxas de juros, que por sua vez aumentam o alto déficit público - o principal problema da economia brasileira. A essa questão soma-se outra: a desvalorização do real aumentou o estoque das dívidas externa e doméstica, indexada ao dólar. Pelos cálculos do FMI, se cada dólar valer entre R$ 1,70 e R$ 1,80, a dívida pública aumentará entre 6% e 7% do PIB em relação aos valores existentes antes da desvalorização.
Mussa também lembrou a importância das reformas estruturais no Brasil, mas acrescentou que o governo cumpriu com suas promessas para este ano. "Há necessidade de outras reformas, como a tributária, mas serão realizadas ao longo dos próximos meses e no ano 2000", concluiu.
CPI - A crise do Kosovo acabou sendo incluída no relatório do FMI, mas seus efeitos sobre a economia mundial foram minimizados: somente países vizinhos, como Albânia e Macedônia, serão seriamente afetados, disse Mussa. Em compensação, nenhuma menção foi feita à CPI do sistema bancário no Brasil. A questão, considerada interna, foi totalmente ignorada.


