FMI prevê queda de juros e ganhos salariais no Brasil
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sexta-feira, 24 de setembro de 1999
Por Fábio Pahim Jr. Enviado especial 
Washington, 25 (AE) - Juros mais baixos e salários em recuperação no Brasil foram previstos hoje, em Washington, por altos funcionários do Fundo Monetário Internacional (FMI). As perspectivas para a economia brasileira são favoráveis, segundo o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a América Latina, Cláudio Loser, e a vice-diretora Teresa Ter-Minassian. A médio prazo, os juros no Brasil cairão mais, assinalou Loser. Teresa Ter-Minassian previu que os salários voltarão a crescer no ano que vem e haverá aumento do emprego, com a recuperação econômica.
"Com o aumento da confiança no processo de ajuste fiscal e a inflação em declínio, há margem para a diminuição das taxas a prazo médio", disse Loser. "O Fundo não se surpreenderia se o déficit nominal vier a cair para 5% do PIB em 2000", disse Teresa Ter-Minassian. O FMI projeta que a América Latina cresca entre 3,8% e 3,9% em 2000, comparativamente a uma queda de 0,1% este ano. Mas, para que o crescimento de 2000 ocorra de fato, o Brasil, com peso da ordem de 35% na economia da região, terá de avançar nas reformas estruturais. "O Brasil tem dado indicações claras de que as reformas serão feitas, permitindo crescimento de 4%, em 2000", acrescentou Loser. No máximo, admitiu Loser, poderá haver demora de mais alguns meses. Entre as reformas, Ter-Minassian deu ênfase à previdenciária e à fiscal. "A reforma fiscal é necessária para permitir o aumento da produtividade no Brasil", observou. Capital - As projeções são favoráveis para 2000, mas, até o final do ano, a América Latina - e o Brasil - deverão enfrentar o problema da diminuição dos fluxos de capital. Nos primeiros dois trimestres deste ano, as emissões de bônus ficaram entre US$ 9 bilhões e US$ 10 bilhões, mas esses valores caíram à metade no terceiro trimestre. Isso reflete os três principais elementos de dúvida com a região: pela ordem, segundo Teresa Ter-Minassian, as ameaças vem do "bug do milênio", conhecido como "Y2K"; da política monetária nos Estados Unidos (o valor do dólar); e dos riscos com o Equador, que está atrasado no pagamento de bônus Brady.
"Os custos aumentaram 20% para os principais países da região", registrou Loser. Além disso, se a política monetária nos Estados Unidos for apertada, será difícil obter o crescimento previsto para a América Latina, disse Loser. O FMI está trabalhando com uma elevação de no máximo 0,5% nos juros norte-americanos. Surpresa - O Brasil surpreendeu o FMI porque a mudança da política cambial não afetou a taxa cambial. Com a queda da inflação no Brasil, a previsão é de que os índices de preços na região cresçam 7,5% em 2000, contra 9,9% este ano. Os fluxos de investimento direto foram elevados, seja em decorrência da privatização, seja de outras fontes. "Os fluxos diretos para a América Latina foram superiores ao déficit em conta corrente da região", segundo Loser.
O Fundo não acredita que a inflação brasileira esteja reprimida. Os índices, segundo Loser, "refletem as mudanças estruturais que ocorreram no País devido ao Plano Real, que enfatizou a importância da estabilização". As projeções para 2000 na América Latina são de uma redução do déficit do setor público de 4,6% do PIB para 1,4%, aumento dos investimentos de 19,8% para 20,2% do PIB, redução do déficit na conta corrente do balanço de pagamentos de 3,3% para 3% e elevação do PIB regional de US$ 1.739,2 bilhões para US$ 1.794,4 bilhões.
"Esperamos que na próxima década a América Latina possa aumentar sua participação no PIB mundial", disse Loser. Hoje, esta participação é da ordem de 6,5% do PIB mundial.


