FMI prevê inflação de 17% e dólar a R$ 1,75 Da correspondente Monica Yanakiew
Washington, 05 (AE) - Depois de 18 dias de reuniões em Washington, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou hoje (05) nota informando que foram concluídas as negociações com o governo brasileiro para rever o acordo acertado no fim do ano passado sobre a linha de crédito de US$ 41,5 bilhões.
Apesar da cautela que marcou o anúncio, o diretor-geral do FMI
Michel Camdessus, já sabia quais seriam os novos objetivos da política econômica brasileira havia uma semana: chegar ao fim de 1999 com o dólar valendo cerca de R$ 1,75 e uma inflação de até 17%, mas com taxa anual inferior a 10%.
Na nota, o FMI informa que os acertos serão revistos no fim de semana, em Brasília e em Washington, e o memorando será divulgado em seguida. Mas o próprio Camdessus já deu seu aval ao novo acordo no começo da semana. Logo após a divulgação do acordo, o sub-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Lawrence Summers, chegou à sede do FMI.
Para manter o câmbio e a inflação sob controle, agora que o valor do real está sendo determinado pelo mercado, o governo brasileiro se comprometeu a fazer um ajuste fiscal mais rigoroso. Para 1999, prometeu um superávit primário (a diferença entre as receitas e as despesas do governo, sem incluir os pagamentos de juros) de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB). No acordo anterior, o superávit primário previsto era de 2,6% do PIB.
Mesmo sabendo que poderia reduzir sua dívida fiscal com um superávit primário menor, o Brasil resolveu incluir objetivos mais elevados. Segundo uma fonte do Palácio do Planalto, a principal preocupação do governo é recuperar a credibilidade que o País vem perdendo desde agosto, quando a Rússia decretou a moratória de sua dívida. Por isso, está querendo obter um superávit primário de 3,25% do PIB no ano 2000 e de 3,75% em 2001.
Quem lançou a campanha brasileira para garantir a reabertura das linhas de crédito do setor financeiro privado foi o próprio Camdessus no dia 1º, na reunião anual do Instituto de Banqueiros Internacionais (IIB), que reúne 200 bancos operando nos Estados Unidos, com sede em 50 países. Ele pediu apoio para o acordo, cujos detalhes o FMI ainda estava negociando com o Brasil, que ele garantiu será "sólido".
A partir do dia 11, o Ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, explicarão melhor o que pretendem fazer, em reuniões com banqueiros na Europa e nos Estados Unidos. Uma delegação também será enviada a Tóquio, para falar com os investidores japoneses.
Pelos cálculos de técnicos do Ministério da Fazenda, o governo também poderá reduzir seu déficit em conta corrente para 3% do PIB (cerca de US$ 16 bilhões). Para isso, está contando com um superávit na balança comercial de quase US$ 11 bilhões. Nas contas, já foram incluídos os reajustes dos preços do setor energético e de certas tarifas, assim como os cortes nos investimentos das empresas estatais e nos incentivos às exportações.
O objetivo do governo é dar ao Banco Central poderes para exercer um maior controle sobre a inflação. Por enquanto, uma das metas definidas, segundo um consultor próximo da equipe econômica brasileira, é uma drástica redução da taxa de crescimento da base monetária, dos 16% de 1998 para 10% este ano.
Segundo o ex-presidente do Banco Central e atual presidente da Morgan Stanley do Brasil, Francisco Gros, mesmo que o Brasil tenha revisto com sucesso seu acordo com o FMI e obtenha a liberação imediata da segunda parcela de US$ 9 bilhões "esse dinheiro ainda é pouco". Ele considera essencial para a estabilidade econômica do País o aumento dos fluxos de capitais privados.
O Brasil terá todo o apoio do FMI, do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento quando a equipe econômica lançar seu road show, quinta-feira. Mas o governo quer mesmo convencer os bancos privados renegociar sua dívida. A taxa de rolagem foi muito baixa nas últimas semanas: pouco mais de 50%.





