FMI prevê inflação de 13% na América Latina
Paris, 16 (AE-DOW JONES) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê elevação de entre 12% a 13% na inflação na América Latina, basicamente em consequência da alta nos preços no Brasil por causa da desvalorização do real, disse Claudio Loser, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental
Durante entrevista no encontro anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Loser e a chefe da missão técnica que negociou a revisão do acordo com o Brasil, Teresa Ter-Minassian, disseram que já há sinais de recuperação na confiança no Brasil. Tais evidências incluem os acordos recentes obtidos pelo país com bancos internacionais, para que mantenham linhas de crédito interbancária e de comércio com o Brasil.
Ter-Minassian afirmou que os dados das últimas semanas mostram "rolagem de mais que 100%" das linhas de crédito com bancos norte-americanos. Eles disseram que não pressionaram o Brasil para desvalorizar o real em novembro, quando foi fechado o primeiro acordo com o FMI, por causa de preocupações de queda excessiva da moeda, retomada da indexação e impacto na região.
O FMI apoiou o sistema de câmbio anterior brasileiro, de acordo com os especialistas, mas alertaram o Brasil que o sistema poderia significar taxas de juro elevadas e requerer nova atitude fiscal. Ele atribuíram a desvalorização forçada do real a uma série de "acidentes de muita ressonância", nas palavras de Loser, como a não aprovação do pacote fiscal no Congresso e a moratória de Minas Gerais.
Ter-Minassian afirmou também que o Banco Central reduziu as taxas de juro prematuramente. Ambos disseram, no entanto, que o governo vem desde o início tentando atingir os termos do acordo original. "É significante que os brasileiros estavam procurando atingir as metas. Quando observa-se a lista de coisas que disseram que iam fazer, se percebe que estavam faz endo", acrescentou Loser.
Loser previu que a América Latina não deve registrar variação no PIB neste ano. No ano passado, a PIB avançou 2,5%. Em 1997, cresceu 5%. Loser previu queda do déficit em conta corrente em relação ao PIB para 3,5% do PIB em 1999, de 4,4% em 1998. Embora não haja previsão de crescimento na América Latina, Loser disse que a região está tendo bom desempenho considerando a magnitude da crise que atingiu a região nos últimos dezoito meses, incluindo a desvalorização do real, a forte queda nos preços das commodities e as consequências das crises na ásia e Rússia.





