AE Londres, 07 (AE) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o governo norte-americano celebraram ontem (06) o sucesso de uma estratégia adotada numa economia emergente após o anúncio de que o Brasil vai pagar todos os empréstimos de emergência que tinha recebido, diz hoje o jornal britânico Financial Times.
O Brasil informou que vai pagar US$ 10,3 bilhões neste mês - US$ 6,8 bilhões do FMI e US$ 3,45 bilhões referentes a uma linha de crédito especial organizada pelo BIS.
"O pagamento antecipado dos empréstimos ressalta a forte recuperação do Brasil, após a crise cambial de 1999", observa o FT, que acrescenta que os economistas acreditam que o PIB do país vai crescer até 4,5% neste ano.
Segundo o jornal, a decisão brasileira aconteceu num momento oportuno para o FMI e o governo americano. Há, neste momento, um intenso debate sobre o papel do FMI entre políticos e organizações não governamentais dos Estados Unidos. "A atitude brasileira vai fornecer munição ao FMI e a seus defensores dentro do governo americano contra as críticos que sustentam que suas políticas na maioria das economias emergentes têm sido contraproducente."
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Lawrence Summers, elogiou o pagamento antecipado, dizendo que ele "reflete o sucesso do Brasil em implementar reformas econômicas e as melhoras nas condições financeiras globais." Mas ele acrescentou que o Brasil precisa a continuar a implantar as suas reformas fiscais planejadas "para colocar as finanças públicas numa base sustentável de ajuste permanente". Ele disse que os Estados Unidos ganharam US$ 140 milhões de dólares com os juros cobrados sobre os empréstimos concedidos ao Brasil.
"Um programa do FMI é como um exame médico semanal e por isso não surpreende que um país tente pagar a dívida o mais rápido possível", disse ao FT John Welch, economista-chefe para a América Latina do Barclays Capital em Nova York. "Isso vai aliviar algumas pressões internas pois fará com que o governo esteja menos escorado em Washington".
"O FMI organizou originalmente um pacote financeiros de US$ 41,5 bilhões em novembro de 1998 para evitar a desvalorização no Brasil. O acordo foi revisado em março do ano passado, após o Brasil ter sido forçado a desvalorizar de qualquer maneira - uma mudança de política que é, ironicamente, a estrutura da atual recuperação", conclui o FT.

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