Washington, 15 (AE) Os milhares de manifestantes que prometem impedir a reunião semestral dos órgãos deliberativos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird), amanhã (15), em Washington, já conseguiram produzir pelo menos um efeito: tornaram mais interessante um encontro que trata geralmente de temas impenetráveis para a maioria das pessoas e costuma não despertar interesse mesmo numa cidade de burocratas como Washington.
Embora ninguém esteja prevendo o colapso iminente da economia americana ou mundial, o desabamento da Bolsa de Nova York, ontem, aumentou o sentido de drama do grande conclave das autoridades financeiras e deu munição nova aos manifestantes para proclamar a falência do modelo econômico defendido pelo FMI e pelo Banco Mundial.
Com as sedes das duas instituições transformadas temporariamente em missões diplomáticas e protegidas por um forte esquema de segurança, os ministros da Fazenda e os presidentes dos bancos centrais de 182 países discutirão amanhã e segunda propostas para definir melhor a divisão de trabalhos entre elas, dar maior transparência às suas operações e torná-las mais eficazes, seja no trabalho de prevenir crises e estabilizar as economias quando estas acontecem, que é função do Fundo, seja na busca dos objetivos comuns que ambas proclamam ajudar os países em desenvolvimento a reformar suas economias, promover o crescimento com estabilidade e elevar o nível de vida de suas populações.
Em contraste com os violentos protestos contra a globalização que marcaram a reunião ministerial da Organização Mundial de Comércio (OMC), em Seattle, em dezembro passado, e contribuíram para frustar os planos de lançamento de uma nova rodada de negociações de liberalização do comércio, as manifestações contra o FMI e o Banco Mundial prometem ser mais calmas e não têm um objetivo claro além de amplificar a denúncia das consequências negativas da globalização.
Stanley Fischer, o diretor interino em exercício do FMI, disse na semana passada que o FMI e os manifestantes compartilham o mesmo objetivo de reduzir a pobreza. Mas desafiou-os a apresentar uma alternativa à integração dos países em desenvolvimento na economia global como a melhor forma de elevar seu padrão de vida.
Um estudo recente da empresa de consultoria A.T.Kearney sobre os efeitos da globalização em 34 países ricos e pobres, citado pelo Financial Times, respalda argumentos usados pelos dois lados. Segundo o trabalho, "os países que estão se integrando mais rapidamente na economia mundial deram-se melhor, ampliaram a liberdade política, registraram taxas de crescimento entre 30% e 50% mais elevadas nos últimos vinte anos e melhoraram sua posição no Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas."
Referindo-se à ásia, o relatório informa que, entre 1980 e 1990, 1,4 bilhão de pessoas saíram da pobreza absoluta "como resultado do crescimento associado à globalização das suas economias."
Ao mesmo tempo, o estudo constata que nos países que andaram mais rápido no caminho da globalização, houve um aumento da corrupção, da poluição e do fosso que separa os ricos e dos pobres.

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