FMI deve mudar e Bird assumir papel maior
Londres, 14 (AE-DOW JONES) - O secretário do Tesouro dos EUA, Lawrence Summers, sugeriu que o Fundo Monetário Internacional (FMI) limite sua atuação em empréstimos de curto prazo e passe a fazer apenas financiamentos de emergência. Para Summers, caberia ao Banco Mundial assumir o papel de instituição de desenvolvimento de longo prazo e combater a pobreza.
No que seria principalmente a mudança de instituição multilateral de empréstimo para a de desenvolvimento mundial, Summers disse que o FMI deve reconhecer o domínio e a preferência do fluxo de capital do setor privado sobre o empréstimo governamental. "Indo além, o FMI precisa limitar seu envolvimento financeiro com os países que ajuda, emprestando de forma mais seletiva e com prazos de vencimentos menores", disse Summers, num discurso em Londres. "O FMI deve ser o último e não o primeiro recurso. Suas facilidades e postura devem, cada vez mais, refletir isso", completou.
Na avaliação do secretário do Tesouro, com o fluxo de capital do setor privado para os países emergentes está crescendo, o empréstimo governamental não pode e não deve crescer em paralelo. Apesar da fuga de capital estrangeiro dos países emergentes ocorrida no final de 1997 e durante grande parte de 1998, Summers citou uma tendência de longo prazo de aumento do investimento e financiamento privados. Os mercados emergentes receberam quase US$ 1,3 trilhão em fluxo de capital privado na década de 90, comparado com cerca de US$ 170 bilhões na década de 80. Summers ressaltou ainda que 20 economias de mercados emergentes emitiram eurobônus em 1998, de apenas um em 1990.
Como os países sócios do FMI preparam-se para escolher o novo diretor-gerente da instituição, em meios aos pedidos do Congresso norte-americano para reforma do Fundo, a iniciativa de Summers pode encontrar resistência dos outros sócios porque isso poderia elevar a influência dos EUA entre as instituição de empréstimo multilaterais. Isso poderia aumentar o papel do Banco Mundial, que é tradicionalmente presidido por um norte-americano
atualmente James Wolfensohn; enquanto restringiria o papel do FMI, tradicionalmente comandado por um europeu, atualmente o francês Michel Camdessus.
Summers disse que os EUA, a Grã-Bretanha e outro países querem "uma nova estrutura para os esforços da comunidade internacional para combater a pobreza, uma estrutura que dê ao Banco Mundial o comando e ao FMI um papel mais definido", disse Summers.
No entanto, Camdessus, que deixará o comando do FMI após 13 anos, tem manifestado sua preocupação de que um retorno às intervenções tradicionais, apenas em caso de emegências no balanço de pagamentos, podem tornar o papel da agência irrelevante.





