FMI deve liberar US$ 9 bi após confirmação de Fraga no BC
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Por Monica Yanakiew 
Washington, 26 (AE) - O Brasil concluirá suas negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) na próxima semana, provavelmente na terça-feira, quando o Senado aprovar a indicação de Armínio Fraga para o cargo de presidente do Banco Central. Isso permitirá a liberação de US$ 9 bilhões e será o primeiro passo de uma campanha para tentar atrair de volta os capitais privados, essenciais para a estabilidade econômica.
Se até abril o governo brasileiro demonstrar que realmente está cortando gastos e pode cumprir as novas metas, sendo negociadas agora com o FMI, estará em condições de voltar a colocar títulos no mercado internacional a partir de julho ou agosto. É o que opina o economista-chefe das Americas do banco de investimentos ING Barings, Arturo Porzecanski.
Segundo Porzecanski, os mercados ficarão de olho no Brasil durante os próximos três meses. "Se nesse período os brasileiros fizerem direito seus deveres de casa, os capitais privados voltarão", disse.
A Argentina, que levou 150 dias para emitir um eurobond, depois que estorou a crise financeira mexicana de 1994, e 70 dias para fazer o mesmo, depois da moratória russa, só precisou esperar 19 dias para reconquistar a confiança dos investidores depois que o Brasil desvalorizou o real.
Mas o economista ressaltou que uma das tarefas esperadas do governo brasileiro é a demissão de funcionários públicos - e não apenas nos Estados e municípios. "O ajuste não precisa ser feito apenas por Minas Gerais - o governo federal ainda não demitiu ninguém", lembrou Porzecanski.
Confirmação - Hoje, um porta-voz do Fundo disse que as negociações entre o FMI e o Brasil estavam "progredindo muito bem" e que as discussões continuariam durante o fim-de-semana. "Um anúncio deve ser esperado em algum momento da próxima semana", acrescentou.
Desde o final de janeiro, a equipe econômica brasileira está negociando com o FMI a revisão de um acordo, fechado no último dia 13 de novembro, que permitiu montar um pacote de ajuda financeira internacional de US$ 41,5 bilhões. A primeira parcela, de US$ 9 bilhões, foi liberada no final do ano passado: metade do dinheiro veio do Fundo e os outros US$ 4,5 milhões de 20 países ricos.
A segunda parcela, também de US$ 9 bilhões, deveria ser liberada em fevereiro, sempre e quando o Brasil tivesse adotado as medidas que prometeu para reduzir o déficit fiscal. Mas quando o governo se viu obrigado a mudar sua política de câmbio no último dia 13 de janeiro, deixando o real flutuar livremente, todos os números negociados com o FMI tiveram que ser revistos.
No início do mês, uma missão do FMI viajou para Brasília
com o objetivo de rever o acordo, e ficou decidido que o novo programa de ajuste brasileiro seria baseado no corte de gastos (e não no aumento de impostos, além dos que já foram anunciados no passado). E que haveria uma expansão do programa de privatização, para incluir os setores energético e financeiro. Serão também estabelecidos novos mecanismos de intervenção do Banco Central.
As negociações para acertar os números, prosseguiram em Washington, com a chegada de uma delegação brasileira, chefiada pelo secretário de Política Econômica, Amaury Bier. Nenhum número foi divulgado, mas fala-se que a estimativa de inflação anual ficará entre 10% e 12%. As metas só serão oficialmente anunciadas na próxima semana.


