FMI deve discutir em setembro medidas de ajuste para o Brasil
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Por Monica Yanakiew 
Washington, 20 (AE) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) deverá começar a discutir, em setembro, as medidas de ajuste fiscal que o Brasil precisará adotar para cumprir as metas do ano 2000. Quando negociou um pacote de ajuda financeira de US$ 41,5 bilhões, o governo brasileiro prometeu um superávit primário (receita menos despesa) de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) para 1999 e de 3,25% para o próximo ano.
Segundo o diretor do Departamento de Pesquisas do FMI, Michael Mussa, até agora só foram definidas as medidas para lograr os objetivos de 1999 que, tudo indica, serão atingidos. "Este mês o Fundo fará nova revisão do acordo com o Brasil, mas as metas para o ano 2000 só deverão ser discutidas na revisão seguinte, que será em setembro", disse Mussa.
Essa semana o economista e especialista em finanças públicas Raul Velloso apresentou um estudo demonstrando que, sem medidas adicionais, o Brasil dificilmente poderá cumprir as metas de superávit primário para os próximos dois anos. A meta para 2001 é de 3,35% do PIB. Velloso aponta, como obstáculos quatro "orçamentos em aberto" - despesas inevitáveis, garantidas pela Constituição.
Os quatro "orçamentos em aberto" citados por Velloso são o do INSS, o dos aposentados e pensionistas da União, o dos benefícios assistenciais previstos na Lei Orgânica de Assistência Social (Loas) e o do seguro-desemprego. Economistas dos principais bancos credores estrangeiros concordam com o FMI que o Brasil cumprirá as metas de 1999, mas a maioria manifesta a mesma preocupação de Velloso em relação a 2000 e 2001.
O economista-chefe para América Latina do banco Paribás, John Welsh, disse que as metas de 1999 certamente serão cumpridas. "Nossa preocupação é com o futuro, porque nos próximos anos o Brasil não poderá contar com as receitas adicionais das privatizações e de impostos como o CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira)" disse. Mussa foi mais vago: "Acertamos os detalhes de 1999 e devemos discutir os detalhes de 2000 em setembro, mas falta muito para 2001", disse.


