FMI deve aprovar amanhã revisão do acordo com o Brasil
Washington, 29 (AE) - Com suas dúvidas sobre o futuro da economia brasileira sendo respondidas pelos sinais concretos de superação da crise de confiança que forçou o governo a desvalorizar o real e mudar o regime cambial, em janeiro passado
os 24 diretores executivos do Fundo Monetário Internacional devem aprovar amanhã a revisão do programa de estabilização fiscal do País e autorizar a liberação da segunda parcela do empréstimo de US$ 41,5 bilhões concedido em novembro passado. O desembolso de aproximadamente US$ 8,6 bilhões - metade dos quais fornecidos pelos vinte países industrializados que apoiaram o programa brasileiro - colocará as reservas do País acima dos US$ 40 bilhões e ampliará a margem de ação do Banco Central na execução das políticas monetária e de intervenção cambial negociadas com o FMI.
A expectativa das autoridades brasileiras, compartilhada pelo mercado, é que o voto de confiança do FMI e da comunidade financeira oficial permita um retorno mais rápido dos créditos e dos investimentos externos no País e a restauração da credibilidade, abreviando a duração e a intensidade da contração econômica de até 4% do PIB prevista para este ano. O Banco Central já anunciou que estuda a emissão de mais de US$ 1 bilhão
a ser feita depois do desembolso do Fundo, para marcar o retorno do País ao mercado internacional de capitais.
A reunião dos diretores do FMI está marcada para a tarde de amanhã e deve terminar somente no início da noite, horário de Brasília. Segundo fontes bem informadas, a análise que o diretor-gerente do FMI, Michell Camdessus, fez há dias ao jornal francês Les Echos, na qual atribuiu a crise brasileira a "tergiversações econômicas" pelas autoridades brasileiras e "erros cometidos" pelo governo "durante e depois do processo eleitoral", reflete uma opinião de consenso entre os membros da diretoria executiva do FMI. Durante a negociação do acordo original, no ano passado, o FMI e o Tesouro dos Estados Unidos advertiram as autoridades que o real estava sobrevalorizado e aconselharam mudanças. Brasília resistiu e mesmo assim obteve apoio para seu programa porque existia, naquele momento, o temor do efeito de contágio internacional de um colapso da economia do País. O acordo, aprovado no dia 2 de dezembro pelo "board" do FMI, foi apresentado como um programa inovador, de caráter preventivo. A forma desastrada como ocorreu a mudança do regime cambial e a falta de consulta prévia ao FMI e ao Tesouro provocaram enorme contrariedade na capital americana e levaram à imposição de condições bem mais duras para a continuação do apoio internacional. Uma delas, foi a troca do comando no Banco Central.
Com o risco de contágio da crise brasileira afastado, o novo acordo seguirá o padrão de um programa tradicional do FMI. Os próximos desembolsos, que serão menores que os dois primeiros
acontecerão a cada trimestre, mediante o cumprimento de metas mais exigentes de desempenho econômico negociadas com o FMI. Independentemente das recentes manifestações de contrariedade em Brasília em relação a algumas dessas metas, a mensagem embutida no novo programa é clara. De agora em diante, o Fundo responderá de forma positiva apenas à execução dos compromissos assumidos pelo País e não mais simplesmente a promessas nesse sentido, como ocorreu na última vez que o "board" se reuniu para aprovar um programa econômico brasileiro.





