FMI cria linha de crédito temporária para países que possam ter problemas com bug do ano 2000
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Monica Yanakiew 
Washington, 24 (AE) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) criou linhas de crédito temporárias para países que possam ter dificuldades com o balanço de pagamentos devido ao "bug do ano 2000". Cada país poderá retirar até 50% de sua cota no Fundo. A cota brasileira é de US$ 4 bilhões.
O "bug do ano 2000" é o apelido dado a um problema mundial, provocado pelos programas dos computadores mais antigos, que usam apenas dois dígitos para identificar as datas. Se não forem reprogramados, o próximo dia 31 de dezembro marcará o fim de "99", mas o dia 1º de janeiro será o começo de "00" - algo que pode ser interpretado pelos computadores como 1900, em vez de 2000.
Verdadeiras fortunas já foram gastas na reprogramação de computadores do mundo inteiro e poucos hoje ainda acreditam que aviões serão incapazes de levantar vôo e aparelhos hospitalares deixarão de funcionar na virada do milênio.
O que existe, no entanto, é o medo de investidores de que uma crise de confiança na população em geral leve a uma corrida aos bancos e uma falta de liquidez.
Esse medo já provocou uma elevação dos spreads aos mesmos níveis daqueles existentes em plena crise russa, em agosto do ano passado. Por isso, o FMI quer implementar essas novas linhas de crédito a partir do próximo dia 15 até o dia 31 de março de 2000.
O cenário mais pessimista prevê uma crise nas economias emergentes, que dependem de investimentos estrangeiros. Mas hoje o ministro da Fazenda, Pedro Malan, traçou um panorama otimista.
Segundo ele, se o mercado tiver exagerado os problemas causados pelo "bug do ano 2000" e a transição da virada de ano seja menos traumática, em janeiro próximo haverá um excesso de liquidez no mercado. Esse dinheiro - diz Malan - poderá beneficiar países emergentes como o Brasil.


