FMI condiciona liberação de recursos para Rússia à realização de reformas
Moscou, 29 (AE-DOW JONES) - O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, disse que o acordo de empréstimo firmado na quarta-feira à noite entre o Fundo e o governo russo é significativo, mas o ponto mais importante continua sendo a realização das reformas.
O FMI concordou em emprestar US$ 4,45 bilhões à Rússia em 18 meses, desde que o governo introduza medidas para controlar seu orçamento e reformar o sistema bancário.
"Tão logo as medidas tenham sido adotadas e eu tenha recebido a confirmação, pedirei ao conselho-executivo (board) para considerar o pedido russo", disse Camdessus, em nota distribuída após a conclusão do acordo de quarta-feira.
Se aprovado pelo conselho do Fundo Monetário Internacional, a Rússia deve receber US$ 2,97 bilhões nos primeiros 12 meses. Segundo Camdessus, há ainda um número de questões técnicas para serem resolvidas "nos próximos meses".
O presidente do Banco Central russo, Viktor Geraschenko, disse que o Parlamento deverá aprovar a legislação necessária até meados de junho.
Promessas - Mas as reformas e o combate à corrupção, exigidos por Camdessus, estão sendo prometidos pela Rússia desde o fim da era comunista sem grandes avanços. Analistas prevêem, portanto, que o país ainda terá dificuldades para receber os recursos, cujas remessas foram interrompidas depois que o país desvalorizou sua moeda e decretou moratória das dívidas, em agosto do ano passado.
A Rússia precisa do empréstimo do FMI para poder cumprir suas obrigações com dívida sem ter de sacar recursos das reservas internacionais, estimadas em US$ 10,9 bilhões até 23 de abril.
Bird - O Banco Mundial (Bird) também anunciou na quarta-feira à noite que completou as negociações com a Rússia para a revisão do terceiro empréstimo de ajuste estrutural, ou EAS 3, no montante de US$ 1,5 bilhão.
O desembolso dos empréstimos pode começar em junho, seguindo-se à realização por parte do governo russo das medidas acertadas no acordo e a aprovação do novo programa de fundos para o país do FMI.
O EAS 3 havia sido aprovado originalmente em agosto de 98 e sua primeira parcela, de US$ 300 milhões, foi desembolsada nessa época.





