FMI aposta na redução dos juros e retomada do crescimento
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terça-feira, 20 de abril de 1999
Por Monica Yanakiew Correspondente 
Washington, 21 (AE) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) aposta na redução significativa dos juros no Brasil, que permitirá a retomada do crescimento da economia a partir de julho. Hoje, o vice-diretor-gerente da instituição, Stanley Fischer, citou o comportamento dos investidores para justificar essa avaliação otimista.
"O mercado de futuros demonstra que as taxas de juros cairão para 30% ou menos em dois meses", disse Fischer. Ele advertiu, no entanto, que o bom desempenho da economia brasileira ainda depende de ajustes fiscais. Entre as novas iniciativas, Fischer citou a reforma tributária, que depende de um Congresso paralisado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos bancos.
"As medidas mais importantes foram tomadas antes de março", disse Fischer. "Mas espero que outras reformas, como a tributária, não sejam atrasadas por causa do foco nessas novas investigações", acrescentou, referindo-se à CPI. As expectativas do FMI, de que as taxas de juros brasileiras caiam em breve, são bem mais otimistas que as previsões de janeiro. Em reuniões no Fundo logo depois da desvalorização do real, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, ouviu sugestões de que deveria elevar as taxas até 70%. A maior preocupação, na época, era com o ressurgimento da inflação.
O diretor-geral do FMI, Michel Camdessus, admitiu hoje que seus economistas erraram nas previsões iniciais sobre o futuro da economia brasileira, que eram mais pessimistas. Não só a inflação permaneceu sob controle como a recessão foi menor do que inicialmente prevista. "Ficamos felizes em dizer que cometemos esse erro", disse. Dolarização - Tanto Camdessus quanto o secretário do Tesouro americano, Robert Rubin (ver reportagem na página 7) falaram hoje em dolarização - uma proposta para as moedas dos quatro países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), que tem sido defendida pelo presidente argentino, Carlos Menem. Ambos foram cautelosos.
Camdessus lembrou que algumas economias, "como a uruguaia, que é raramente mencionada", já está num processo avançado de dolarização. Mas tanto ele quanto Rubin acham que a decisão de substituir a moeda tem de ser cuidadosamente estudada e muito consultada.
Camdessus, que é francês, citou o caso dos 15 países da União Européia (UE), que em janeiro adotaram uma moeda única, o euro. "Essa moeda comum foi lançada depois de 20 anos de esforço de convergência" lembrou. "Esse processo de aproximar políticas econômicas e monetárias na América Latina mal começou".
De qualquer forma, a relação entre as três principais moedas internacionais - o dólar, o euro e o iene - será um dos temas da reunião do FMI que começa domingo. A dolarização acabará sendo discutida. Desafios - Em relação a países, Camdessus apontou como grandes desafios o Japão e a Rússia. A economia japonesa, disse, aparentemente está-se recuperando, mas seu futuro continua "muito incerto". O principal problema, segundo ele, é a falta de confiança, tão necessária para a retomada do crescimento. Já as previsões para a Rússia, que, ao declarar moratória de sua dívida externa em agosto, desencadeou a segunda fase da crise financeira internacional, são mais otimistas. Camdessus disse que o FMI e o governo russo devem fechar um novo acordo nos próximos dias.
Em relação ao próprio FMI, o desafio do futuro será criar mecanismos para evitar crises como a de 1997, que sacudiram a ásia, a América Latina e a Rússia. Uma das idéias é um fundo de contingência. O FMI também quer levar mais em conta as questões sociais, ao negociar programas de ajuste com países que recorrem à ajuda da instituição.
Camdessus falou longamente sobre a guerra no Kosovo, que tenta separar-se da Iugoslávia, e a necessidade de o FMI participar no esforço de aliviar os problemas econômicos da região e ajudar na reconstrução, uma vez que o conflito acabe.


