Washington, 22 (AE-AP) - Muitas das recomendações para a reformulação do Fundo Monetário Internacional que estão sendo propostas pelos Estados Unidos provavelmente acabarão sendo aprovadas, disse um alto funcionário do órgão nesta quarta-feira.
O vice-diretor-executivo, Stanley Fisher, disse que o órgão está pressionando agressivamente em favor de um programa de reformas que tenha por alvo as questões levantadas pelo Secretário do Tesouro, Lawrence Summers.
Fisher disse que Horst Koehler, um ex-alto funcionário do ministério das Finanças alemão, que está na mira para se tornar o novo presidente do FMI deu indicações de que apóia as propostas americanas.
As recomendações dos Estados Unidos incluem a mudança do foco do FMI, abandonando sua missão primordial de ajudar os países com dificuldades financeiras suprindo-os com empréstimos de curto prazo.
Summers disse que o FMI poderá reduzir seus empréstimos de longo prazo e sair do negócio de oferecer empréstimos aos países em desenvolvimento, tarefa que deverá ser entregue ao Banco Mundial.
Fischer disse que, embora tenha algumas dúvidas específicas sobre determinados aspectos das recomendações dos Estados Unidos, acredita que "a abordagem geral sugerida pelos secretário Summers será aceita pela instituição". Mas disse, também, que as recomendações feitas por um comitê consultor do Congresso, presidido por Allan Meltzer da Carnegie Mellon University, vai longe demais na redução da missão do órgão emprestador que abrange 182 países.
A comissão Meltzer recomendou que o FMI fosse abandonando gradualmente todas as atividades de empréstimo exceto os financiamentos de emergência de curto prazo. Propôs que o FMI se livre não apenas dos empréstimos para os países em desenvolvimento, com o que Summers concorda, mas também da tarefa de oferecer empréstimos para aliviar a pobreza dos países mais pobres do mundo.
Republicanos influentes tanto da Câmara como do Senado aderiram às recomendações da comissão Meltzer e prometeram apoio financeiro futuro dos Estados Unidos pra o FMI e o Banco Mundial para a implantação de uma redução drástica em ambas as instituições.
Em uma entrevista que abrangeu vários aspectos, Fischer também rebateu os críticos que se queixaram de que o FMI tem sido muito lento em adaptar seus procedimentos a uma economia global em fase de rápidas mudanças.
"O processo de reforma do FMI está bem adiantado", disse ele. "Fico escutando de que nada está acontecendo - mas muita coisa está acontecendo". Fischer disse em resposta às críticas de que o órgão é muito sigiloso, que a instituição colocou à disposição grande quantidade de materiais sobre as condições econômicas dos países individualmente e as próprias operações internas do príoprio FMI.
O órgão também está examinando ativamente a consolidação do seu conjunto de programas de empréstimo e também buscando formas de fazer com que os bancos privados e os investidores compartilhem do fardo de salvar países ricos que entram em dificuldades financeiras.
O FMI reuniu mais de US$ 100 bilhões em pacotes de socorro de emergência de 1997 a 1998, quando lutava para conter uma crise monetário generalizada na qual os investidores causaram a desvalorização da moeda em uma série de países quando tentaram dispor dos seus ativos.
Os críticos dizem que os empréstimos do FMI nada fizeram para impedir que o contágio se espalhasse da ásia para a Rússia e, finalmente, para a América Latina e que grande parte do dinheiro acabou socorrendo investidores privados que fiz eram apostas arriscadas nos países em desenvolvimento.
Em outras questões, a avaliação de Fischer foi, no geral, positiva sobre as recuperações em andamento. Disse que Tailândia, Coréia do Sul e Malásia, países atingidos pelo turbilhão monetário, estão apresentando uma impressionante recuperação econômica que deve continuar.
Fischer disse que a Indonésia está tendo mais trabalho para colocar um programa de reforma nos trilhos mas que uma nova equipe econômica já mostrou sinais da sua disposição para push ahead.
Fischer, cujo nome foi proposto como candidato à sucessão de Michel Camdessus, repetiu sua intenção de permanecer na instituição para auxiliar Koehler quando este assumir o posto.
O FMI anunciou na última quinta-feira que o voto oficial para a nomeação de Koehler, que atualmente comanda o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento com sede em Londres, acontecerá na próxima quinta-feira.
A expectativa é que a escolha de Koehler seja aprovada por unanimidade pelo conselho executivo formado de 24 membros da agência, enquanto os países-membros do Fundo Monetário Internacional tentam deixar para trás as mágoas deixadas pela luta pela seleção, na qual os Estados Unidos rejeitaram publicamente o primeiro candidato apresentado pela Europa, o vice-ministro das Finanças da Alemanha, Caio Koch-Weser, com o argumento de que lhe falta estatura para o cargo.
O Japão e muitos países em desenvolvimento reclamaram que essa tradição que já dura 50 anos de sempre se escolher um europeu para o comando do FMI e um americano para presidente do Banco Mundial precisa acabar.

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