Washington, 27 (AE-DOW JONES) - O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, aconselhou o governo brasileiro, assim como os de outros países latino-americanos, a fazer esforços suplementares de reforma fiscal e estrutural para impedir a volta da crise. "Com esses esforços e sem que haja nova deterioração da situação externa, a crise não poderá se prolongar na região", disse.
O secretário do Tesouro norte-americano, Robert Rubin, reforçou o pedido ao governo brasileiro e disse ainda esperar uma contração na América Latina. A diminuição no crescimento da produção nos Estados Unidos é inevitável, por causa do nível da utilização da capacidade industrial, afirmou Camdessus.
Dirigindo-se ao Comitê Interino do FMI, em Washington, Camdessus afirmou que as taxas de juros dos EUA talvez precisem ser elevadas, se a demanda doméstica não diminuir. "A redução do crescimento da produção nos EUA parece inevitável, dado o nível da utilização dos recursos disponíveis e a demanda doméstica por um período terá de diminuir mais do que a produção para permitir que o déficit em conta corrente diminua", disse Camdessus.
"Se a demanda doméstica não desacelerar, as taxas de juros terão de ser elevadas para reduzir o risco de superaquecimento"
acrescentou o diretor-gerente. Para a economia mundial, Camdessus avisou que "o balanço dos riscos permanece negativo"
apesar da melhora desde o ano passado.

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