FLUXO MIGRATÓRIO - Paraná diminui saldo negativo
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domingo, 06 de maio de 2012
Fábio Galão <br> Reportagem Local 
Londrina - O território paranaense, palco do maior processo de expulsão populacional do Brasil nas décadas de 1970 e 80, mantém a tendência recente de atenuar suas perdas nos movimentos migratórios dentro do Brasil.
De acordo com números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no final de abril, o Paraná continua entre os Estados brasileiros com saldo migratório negativo nos fluxos de população entre as 27 unidades federativas do País (esses números não incluem dados de migração internacional).
No período entre 2005 e 2010, 293.471 pessoas que residiam em outros Estados vieram morar no Paraná. Por outro lado, 319.759 habitantes do Estado foram para outras localidades do País, o que representou um saldo negativo em 26.288 pessoas.
Esse fluxo expulsor de população, entretanto, já foi muito mais acentuado. No período 1995/2000, o saldo migratório paranaense também havia sido negativo e a um patamar pequeno, em 39.686 pessoas. O Paraná era o oitavo entre as 13 unidades federativas que perderam população no quinquênio mencionado - ficou atrás de Bahia, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Pará e Piauí.
Na variação entre 2005 e 2010, o Paraná, além de ter sofrido redução do saldo negativo do fluxo migratório, caiu para a 10 posição entre os Estados (12 ao todo) que tiveram mais saída do que chegada de migrantes. Ficou atrás de Bahia, Maranhão, Alagoas, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul, Ceará, Pará e Paraíba.
Crise da cafeicultura
Nada comparável à época em que o Paraná teve o mais negativo desempenho na migração interna brasileira. Marisa Magalhães, pesquisadora do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), cita que os anos 70 e 80 foram o período em que o Estado registrou os piores saldos migratórios da sua história.
Na soma das duas décadas, a diferença estimada foi negativa em 2,6 milhões de pessoas, índice mais elevado do País. Havia à época fortes fatores de expulsão de população, que acabaram até mesmo por redefinir o perfil econômico e social do Estado: a crise da cafeicultura, a mecanização da produção rural, a entrada da soja, as consequentes dispensas de mão de obra.
''Grande parte da população paranaense que deixou o campo foi para a Região Metropolitana de Curitiba. Nessas duas décadas, ao mesmo tempo em que o Paraná tinha o maior saldo migratório negativo do Brasil, a RMC foi a região metropolitana que mais cresceu. Mas, é claro, a RMC não tinha como absorver toda essa migração. Assim, muita gente foi para São Paulo, não só a Capital, mas também para o Interior, e para as chamadas fronteiras agrícolas, o Mato Grosso, o Mato Grosso do Sul, Rondônia'', diz Marisa.
Ela explica que, nas duas últimas décadas, os saldos migratórios negativos se tornaram menores em parte pela geração de vagas de trabalho no Paraná, mas principalmente pelo esgotamento da demanda de mão de obra no Sudeste e nas fronteiras agrícolas.
Marisa aponta que, quando o saldo migratório negativo atinge o patamar que o Paraná ostentou entre 2005 e 2010, o índice é considerado praticamente zero. ''É um saldo irrisório, considerando que a população do Paraná ultrapassa os 10 milhões de habitantes e que é uma diferença registrada em um período de cinco anos'', justifica. ''O Paraná passou a reter mais população. Continua a ter 'perdas' no processo migratório, mas em um volume muito menor.''
''Hoje, temos saldos migratórios baixos em todo o Brasil, tanto negativos quanto positivos. A tendência está mais nas migrações dentro dos Estados e dentro das Grandes Regiões. Não existem mais 'eldorados'. As migrações de grandes distâncias estão mais raras'', explica.
É importante ressaltar, entretanto, que o Paraná, apesar dos saldos migratórios negativos nas últimas quatro décadas, nunca perdeu população em números absolutos. Puxado pelo crescimento vegetativo (diferença entre nascimentos e mortes), o número de habitantes do Estado passou de 7 milhões em 1970 para 10,4 milhões em 2010.


