Flory quer equilibrar contas
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terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por Suely Caldas 
Rio, 01 (AE) - Carlos Henrique Flory só teve dois empregos na vida - ainda estudante de Economia na USP, onde conheceu o presidente da Petrobrás, Henri Phillipe Reichtul, trabalhou no Banespa, transferindo-se depois para a Siemens alemã, onde passou por vários cargos (o último como diretor financeiro) ao longo de 27 anos. "Não vim para a Petros fazer carreira ou conhecer o mercado financeiro. Tenho uma boa aposentadoria e futuro garantido; pode parecer frase feita, mas estou aqui para cumprir uma missão: recuperar a credibilidade do fundo, que está muito ruim, equilibrar suas contas e preocupar-me com um único objetivo, o de garantir o pagamento da aposentadoria dos participantes", afirma.
A declaração foi espontânea, ou melhor, intencional, e teve o propósito de acalmar inquietação manifestada por aposentados e contribuintes do fundo, inseguros com notícias sobre rombos e déficits que ameaçam o pagamento futuro dos benefícios. Flory assumiu a Petros no pior momento de sua história. A irresponsabilidade de sucessivos dirigentes desde a criação, aliada à cumplicidade do órgão fiscalizador - a Secretaria de Previdência Complementar - escondeu, por 20 anos, um passivo que se agigantou ao longo do tempo e superou o valor total de seu patrimônio.
Não bastasse isso, novo rombo foi criado em 1996, com o ingresso de novos beneficiários que logo se aposentaram sem pagar as contribuições devidas. Flory reconhece que na história dos fundos de estatais a população acaba cobrindo os rombos, pagando mais por tarifas públicas. Sob sua gestão, garante, essa história não será repetida.


