Florestas nativas ainda são alvo de devastadores
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terça-feira, 05 de junho de 2001
De Curitiba 
O biólogo Ricardo Miranda Britz, integrante da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), disse ontem que a colonização agrícola e a falta de uma fiscalização efetiva foram os principais componentes para a degradação e destruição da floresta original da Araucária (tipicamente paranaense e conhecida como pinheiro) no Estado. Atualmente, apenas 0,8% da cobertura original está bem conservada. Outros 28% estão em estágio médio ou inicial de degradação ambiental. A floresta foi amplamente destruída e continua sendo degradada continuamente, denunciou ele, durante palestra ontem no Ciclo de Estudos Científicos de Biologia, no auditório do Centro de Ciências Biológicas e de Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).
Em algumas regiões, a floresta praticamente inexiste. São os casos das regiões Oeste e Noroeste, onde praticamente predomina a agricultura. Nestas regiões temos pequenos fragmentos remanescentes. Temos que preservá-los, analisou. No Centro-Sul, a concentração de florestas com araucária é maior. No entanto, as matas estão degradadas.
Britz alertou ainda sobre a extração da madeira, que continua sendo feita em áreas de boa preservação ambiental. Como é o caso da parte norte do Parque Nacional do Iguaçu. A extração beneficia poucos. A preservação destes locais e a fiscalização efetiva sim, beneficiariam todos os paranaenses, salientou.
A fauna nas florestas com araucária também foi analisada ontem. A bióloga Sandra Bos Mikich, especialista em zoologia, fez um levantamento das espécies de mamíferos e aves existentes em nove áreas remanescentes entre novembro de 1999 e outubro de 2000. Ela conseguiu detectar 52 espécies de mamíferos, 10 ameaçadas de extinção. Principalmente, animais de grande porte como antas e pumas. Registramos um número grande de espécies que vive em ambientes abertos e não em florestas. Isto não é bom. Significa que a floresta com araucária foi degradada e alterada, concluiu. Entre animais de áreas abertas, foram observados morcegos.
Na pesquisa realizada, foi observada a existência de 251 espécies de aves o equivalente a 74% das espécies vistas em florestas tipicamente de araucárias. Na avaliação da bióloga, é fundamental que o Estado tome providências para evitar uma degradação ainda maior das florestas e da fauna. (Luciana Pombo)


