Floraí é a cidade mais idosa do Paraná

Floraí - Toda quinta-feira, o Clube do Vovô de Floraí (Noroeste), recebe cerca de 80 idosos que se reúnem para fazer atividades físicas, dançar e, principalmente, conversar. Enquanto Dorvalina Bortoluzzi, de 73 anos, comanda a aula de ginástica, substituindo o professor Pipoca, que teve uma falta justificável, algumas das senhorinhas "matam" a aula para bater papo em um canto do salão. "Como hoje está muito quente, vou ficar só na conversinha aqui", sussurra uma das idosas. A "professora" releva.

Apesar do nome masculino do clube, quem manda lá são as vovós. Elas representam mais de 90% dos participantes. "Os homens ainda têm maior resistência às atividades", relata a assistente social Janaína Tavares. A proporção de 20% de idosos, projetada para o Paraná para o ano de 2030, já é realidade na cidade de 5 mil habitantes. Informado pela reportagem sobre os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o aposentado Antônio Onibaldo Melhado, de 67 anos, brinca: "Deve ser verdade, viu. Ô lugarzinho pra ter velho."
Este ano a própria cidade entra para a terceira idade; completa 60 anos em dezembro. Os idosos de lá dizem não ter do que reclamar. "A gente se diverte com nossos bailinhos, nossos encontros. Somos respeitados. Isso é o que importa", conta Melhado. A parcela considerável de idosos tem a atenção do poder público. A secretária de Assistência Social, Adriane Herradon, lista as atividades organizadas durante o ano. "Fizemos concurso de miss terceira idade, viagens para a praia, bailes, festas. Temos a consciência da importância do idoso na sociedade."

Odina Pulsineli, de 73 anos, é voluntária na Pastoral da Criança. Ela analisa o processo de envelhecimento da cidade. "A gente faz esse acompanhamento das crianças, passa um tempo elas criam asas e vão embora. Fazer o quê? A vida é assim mesmo", comenta. Segundo ela, a maior vantagem de uma cidade com tantos idosos é que a juventude não padece por falta de conselho. "Antigamente a gente não tinha problema de droga. Hoje já sabemos de alguns jovens com este problema. Nessa hora é importante a conversa. Um conselho pode salvar uma vida", ressalta.(C.F.)





