Flagelados vão receber R$ 35 milhões
Flagelados vão receber R$ 35 milhões
Governo assina decreto na próxima semana beneficiando 35 mil famílias sem-terra atingidas pela seca no Nordeste
Renata Giraldi
Agência Folha
Arquivo FolhaQuebra-galhoDinheiro vai servir pelo menos para abertura de um poço nas áreas dos assentados O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem que cada uma das 35 mil famílias de sem-terra assentadas na região atingida pela seca no Nordeste vai receber R$ 1 mil, sem qualquer burocracia, porque todas já estão cadastradas. E o processo que o Incra usa para a liberação do crédito de implantação, disse FHC.
A previsão é que o dinheiro, que será distribuído pelo Incra, chegue às famílias em dez dias. Os recursos devem ser usados pelas famílias de trabalhadores rurais para resolver o problema da falta de água na propriedade. Para fazer uma cacimba, um poço ou melhorar um açude, afirmou o presidente.
FHC fez o anúncio da liberação dos R$ 35 milhões durante o programa semanal de rádio Palavra do Presidente. Ele afirmou que, na semana que vem, será assinado decreto autorizando a distribuição do dinheiro. Na semana passada, quando concedeu uma entrevista coletiva, o presidente passou a maior parte do tempo tentando explicar as ações do governo para resolver a questão da seca. Os R$ 35 milhões sairão do Procera (Programa de Crédito Especial da Reforma Agrária). E essa foi uma decisão que tomamos junto com os representantes dos trabalhadores, na reunião da Comissão Nacional de Procera, na semana passada, disse.
Na entrevista, porém, FHC disse que não tinha nenhuma novidade. Se houver alguma forma nova de auxiliar o Nordeste, me diga qual é, disse o presidente, ao ser questionado por uma jornalista. O presidente disse também que a oferta do seguro-desemprego para os trabalhadores dos 1.490 municípios atingidos pela estiagem será ampliada. Segundo ele, esse dinheiro virá do FAT (Fundo de Amparo do Trabalhador).
FHC afirmou ainda que o governo vai acelerar o socorro aos assentamentos no Nordeste e no Norte de Minas Gerais. Como exemplo, o presidente citou os programas desenvolvidos para alfabetizar os trabalhadores e para estimular a geração de empregos, além da distribuição de cestas básicas. Muitas medidas que adotamos vão diminuir as possibilidades de risco de uma próxima seca, afirmou ele. A família que tem instrução e um sistema de produção agrícola estável fica menos vulnerável à seca.
Fernando Henrique lembrou também o Ministério das Minas e Energia, que está empregando trabalhadores para desmatar todo o trecho do linhão do Tucuruí, que sai do Pará e vai para o Ceará, o trabalho do Ministério da Educação e a liberação de R$ 450 milhões aos trabalhadores rurais. Todo o governo, a exemplo de todos os brasileiros, está fazendo o possível para aliviar os efeitos da seca, salientou.





