Flagelado de PE saqueia loja na Bahia
Flagelado de PE saqueia loja na Bahia
Usando barcaças para atravessar o São Francisco, grupo de 200 pessoas levou cerca de uma tonelada de alimentos
Agência Estado
Dida Sampaio/Agência EstadoFomeAo fundo, sem-terra bloqueiam a rodovia BR-428, que liga Petrolina a Recife. PMs, armados com metralhadoras, intervêm para impedir o saque de caminhões Um grupo de 200 flagelados, entre homens, mulheres e crianças, saqueou na manhã de ontem a loja da Cesta do Povo do município de Curaçá, a 592 quilômetros de Salvador, situada às margens do Rio São Francisco. Os saqueadores, que portavam bandeiras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) são do município pernambucano de Santa Maria da Boa Vista, na outra margem do rio.
Eles usaram quatro barcaças para atravessar o São Francisco, realizar o saque na Bahia e depois voltar para o lado pernambucano. O grande contingente não foi notado porque ontem era dia de feira em Curaçá, quando a cidade fica movimentada. O grupo seguiu direto do ancoradouro para a Cesta do Povo, programa mantido pelo governo baiano, que vende gêneros de primeira necessidade a preços inferiores aos do mercado. Sem exibir qualquer tipo de arma, eles invadiram o local e levaram rapidamente cerca de uma tonelada de alimentos. Não saquearam a feira livre armada próxima à Cesta do Povo e tampouco os supermercados pertencentes a comerciantes da cidade. Os quatro policiais militares de serviço no momento da ação, decidiram não intervir para evitar um conflito armado.
O delegado de Curaçá, Genes Batista Freire Nascimento, abriu inquérito e pediu ajuda ao delegado do município pernambucano para localizar os saqueadores. O batalhão da Polícia Militar de Juazeiro, mais importante município baiano da região, enviou uma equipe para realizar buscas na orla de Curaçá.
No final da tarde, seis integrantes do MST que participaram do saque foram presos pela PM. Foram identificados como Maria de Fátima Santos, Oswaldino Souza, Reinaldo Ferreira, Amauri Eleotério Macedo, José Silva e Reinaldo Teófilo, acusado de ser o líder do saque.
Eles confessaram a ação logo depois de terem sido presos em um barco em pleno Rio São Francisco. Teófilo disse que organizou a invasão porque pediu 300 cestas básicas ao Incra e não foi atendido. O delegado Genis Nascimento indiciou os seis pelo saque e tentava transferí-los no início da noite para Juazeiro, temendo que os outros integrantes do MST invadissem a cadeia de Curaçá para libertar os colegas.
Depois da prisão dos saqueadores, um grupo do MST invadiu o posto policial do povoado de Itamotinga, no município de Juazeiro, e quebrou todos os móveis do local. Os invasores pensavam que os seis integrantes do MST estavam presos naquele posto. Os quatro policiais militares de Itamotinga não reagiram à depredação das instalações policiais.
O prefeito de Curaçá, Salvador Gonçalves (PSDB) disse que os moradores se indignaram principalmente porque o saque foi na Cesta do Povo. É o lugar onde se vende mais barato na cidade e funciona como uma central de abastecimento para os mais pobres, disse, lembrando que há dois supermercados vizinhos à Cesta do Povo que não foram tocados.





