São Paulo, 05 (AE) - Pouco depois de anunciada a sua absolvição, o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior, disse que o julgamento de hoje foi técnico e não político. "Fizeram justiça", ressaltou. Segundo ele, o primeiro júri, ocorrido em Pedro Canário há três anos, julgou o MST e a reforma agrária. Na ocasião, Rainha foi condenado a 26 anos e seis meses de prisão.
O líder do MST disse que a luta pela justiça tem que continuar. "Casos como os de Eldorado dos Carajás e do Carandiru não podem ficar impunes", afirmou, em referência à morte de sem-terra no Pará e de presos na Casa de Detenção do Carandiru, em São Paulo. Rainha declarou que continuará com mais firmeza a sua luta pela reforma agrária. "Jamais recuei um passo nessa luta e este julgamento de hoje me deu mais força para seguir em frente", frisou.
Diolinda Alves de Souza, mulher de Rainha, considerou a absolvição como uma vitória da reforma agrária. "O movimento é social, é sério e não pode ser julgado de forma política", afirmou. Dizendo-se muito aliviada, Diolinda afirmou que tudo o que queria era voltar para casa e retomar a sua vida normal, ao lado de Rainha e de seu filho João Paulo, de seis anos. "Faz mais de um mês que estou aqui em Vitória. Agora, quero voltar para casa e ver meu filho", disse.
Rainha e Diolinda falaram com a Agência Estado durante ato em comemoração à absolvição, na Praça da Catedral Metropolitana, em Vitória. (Luiz Guilherme Fabrini)

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