Londrina - Depois de dois abortos e 10 anos de casada, a professora Marilene, que prefere não ter o sobrenome divulgado, passou a cogitar com o marido a ideia de adoção. O primeiro passo foi fazer o cadastrado na Comarca de Londrina, e enquanto aguardavam, ficaram sabendo de uma criança que iria nascer em outra cidade e que iria ser doada pela mãe. Havia fila de espera por adoção na cidade, mas uma pessoa da família que trabalhava no sistema de saúde conseguiu facilitar o processo. Dois anos depois, a história se repetiu, e o casal londrinense adotou o filho caçula, atualmente com 13 anos.
"Antes disso eu tinha tentado adotar um outro bebê, mas ele era negro e a juíza argumentou que ele não servia para nós, que teríamos problemas no futuro. Foi um absurdo", conta a professora. Ela revela que a adoção da filha mais velha não foi muito tranquila. "O juiz achou que tínhamos comprado a bebê e demorou para nos dar a guarda definitiva." Hoje, porém, Marilene diz não se arrepender. "Fiz o que tinha que ser feito. Pelo processo legal teria sido bem mais complicado. Talvez tivesse demorado anos."
Esta visão é compartilhada pela empresária Mara, que resolveu adotar sua filha mais velha, hoje adolescente, depois de saber de uma criança que havia nascido prematura e encontrava-se em uma instituição da cidade. "Demos entrada com a papelada no Fórum, mas alegavam que a criança não existia. Contratamos então uma advogada, que conseguiu acelerar o processo e em 11 dias pude trazê-la para casa. Em dois meses saiu a guarda definitiva. Não furamos fila, mas conseguimos acelerar o processo", afirma.
Já a segunda filha da empresária nasceu fora de Londrina. Ela ficou sabendo de sua existência durante uma visita a parentes que moram no interior de São Paulo. "Não procurei minhas filhas, elas vieram até mim", diz ela, que também não se arrepende de como adotou as meninas. "Faria tudo novamente, e se fosse preciso burlaria a lei, porque sei como o processo é moroso." Os pais da empresária, no passado, adotaram informalmente duas crianças. Uma delas, embora tenha vivido com a família dos seis aos 18 anos, não chegou a ter o sobrenome dos novos pais. A outra só teve o registro de nascimento alterado por volta dos 20 anos. (S.L.)

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