Ervas e plantas medicinais sempre fizeram parte do repertório de cura popular no Brasil. Por isso, não é surpresa que a Fitoterapia Chinesa venha ganhando destaque. A grande diferença, neste caso, é a forma de diagnóstico.
''A fitoterapia chinesa traz toda a bagagem da medicina tradicional chinesa, onde o diagnóstico é que o diferencial'', aponta a naturóloga Sílvia Bachstein, de Londrina. Ela explica que toques sutis em algumas partes do corpo, por exemplo no pulso, ajudam a medir o ''Qi'' (pronuncia-se 'tchi'), a chamada energia vital que circula pelo organismo.
Mas o diagnóstico também inclui exame do rosto, da língua, das unhas, e de sintomas que o paciente apresenta. A idéia, na medicina chinesa, é de que o organismo é um todo, e que tudo está interligado, seja energia, emoção ou o físico. Mas diferentemente da medicina convencional, ela lembra que a chinesa tem por fundamento a prevenção de doenças, não o tratamento. ''Lá, a filosofia é não esperar adoecer, mas tratar para que as pessoas permaneçam saudáveis'', aponta.
Matérias do reino animal, vegetal e até mineral são usadas na fitoterapia chinesa para regular o estado energético do paciente. ''Ou seja, para interferir no seu metabolismo'', define o professor Carlos Augusto Torro, professor da especialização em Fitoterapia Chinesa do Colégio Brasileiro de Estudos Sistêmicos (Grupo CBES).
A principal utilização da fitoterapia chinesa, segundo Torro, é na recolocação da energia faltante ao paciente portador de doenças crônicas. ''Não que a fitoterapia não atue muito bem nas doenças agudas, muito pelo contrário, mas ela traz imensos benefícios para aqueles pacientes deficientes de energia. Isto quer dizer que a fitoterapia interfere no metabolismo geral, incrementando-o e regulando-o'', explica.
A dor, por exemplo, explica Sílvia, na medicina chinesa, sinaliza uma alteração energética - seja deficiência ou excesso, e as ervas, assim como outras terapias, como a acupuntura e massoterapia, ajudam a regularizá-la. ''O objetivo é mexer na energia para fazê-la fluir'', aponta Sílvia.
Indicada para dores crônicas, disfunções hormonais e metabólicas, problemas digestivos, circulatórios, respiratórios e outros, a fitoterapia deve ser utilizada com cuidado, apesar de natural. ''Não é porque é fitoterapia que não existem efeitos colaterais. Eles existirão caso o profissional não acerte o diagnóstico, não respeite as doses recomendadas e não entenda o que aquele medicamento estará fazendo no corpo do paciente'', alerta o professor.
São cerca de 300 ervas na formulação chinesa. No Brasil, como as substâncias são importadas, elas são usadas principalmente na forma de cápsulas. ''As substâncias utilizadas são bastante parecidas com as da homeopatia. Não há problema algum em associar homeopatia, alopatia e fitoterapia chinesa, bastando o profissional saber o que está prescrevendo'', comenta o professor.

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