Fita que incrimina Talvane é original
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quarta-feira, 13 de janeiro de 1999
Agência Estado 
O Laboratório de Fonética Forense da Universidade de Campinas (Unicamp) comprovou ser original a gravação telefônica e a voz do deputado Talvane Albuquerque (PFL-AL) numa conversa supostamente com o pistoleiro Maurício Novaes, conhecido como Chapéu de Couro. Com certeza trata-se da voz do deputado Talvane, afirmou o coordenador do laboratório, Ricardo Molina. A fita não contém montagens, apenas uma interrupção provavelmente resultante de defeito mecânico ou eletrônico, não fraudulenta, de acordo com Molina. A Unicamp constatou que a gravação foi feita da linha telefônica onde estava supostamente Chapéu de Couro. O perito disse que não foi possível comprovar a veracidade da suposta voz de Chapéu de Couro porque não foi entregue fita para comparação.
A comissão de sindicância que investiga a eventual responsabilidade de parlamentares na morte da deputada Ceci Cunha (PSDB-AL), assassinada junto a três familiares no dia 16 de dezembro, em Maceió, solicitou ontem à procuradoria-geral da União a quebra dos sigilos bancários e telefônicos do pistoleiro Chapéu de Couro e dos deputados federais Augusto Farias e Talvane Albuquerque, ambos do PFL-AL. Albuquerque é o principal suspeito da polícia federal de ter sido o mandante da morte da deputada.
Mesmo que não seja comprovado o envolvimento do deputado no assassinato, ele poderá ter o mandato cassado por quebra do decoro parlamentar, informou o corregedor-geral da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), membro da comissão de sindicância. O suposto relacionamento de Talvane com um pistoleiro pode não ser o suficiente para cassar o parlamentar por falta de decoro.
Segundo o corregedor-geral da Câmara, não há tempo hábil para a cassação do deputado nesta legislatura - já que da comissão de sindicância terá de seguir para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Porém, de acordo com Cavalcanti, há meios de todo o trabalho feito pela comissão de sindicância e eventualmente da CCJ, ser aproveitado pela próxima legislatura.
Ontem, o deputado federal Augusto Farias depôs e reafirmou suas acusações de que o deputado Albuquerque teria contratado um pistoleiro para matá-lo. Farias continuou defendendo a tese de que o pistoleiro Chapéu de Couro - que deve ser ouvido na comissão de sindicância hoje - resolveu não matá-lo por não querer envolver-se com um crime que envolveria investigação federal e que nada teria cobrado dele.
Cavalcanti informou que foram suspensos os salários dos dois assessores do deputado Albuquerque, Alécio César Alves e Jadielson Barbosa da Silva. Os dois, além do secretário particular de Albuquerque, José Bezerra da Silva, são suspeitos de terem sido os executores do assassinato de Ceci, e têm a prisão preventiva decretada desde o dia 18 de dezembro, mas estão foragidos.
Hoje a comissão pretende convidar os outros suplentes da bancada alagoana a depor. Os suplentes que serão convocados são Tomaz Nonô, Alberico Cordeiro, Elenildo Ribeiro, Divaldo Suruagy, além de Talvane Albuquerque.


