Fisioterapia trata doenças respiratórias
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domingo, 03 de setembro de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
As crises de asma da cozinheira Soraia Maria da Silva Inácio, de 40 anos, davam a sensação de que ela estava se afogando. ''Sentia muita falta de ar e cansaço'', lembra. Ela só conseguiu diminuir as crises, que, no seu caso, eram desencadeadas por poeira, cheiro forte ou mesmo produtos químicos, com sessões de fisioterapia respiratória.
O procedimento é um ramo ainda pouco conhecido da fisioterapia, mas ajuda no tratamento de quem sofre de doenças respiratórias, inclusive as crônicas, como a asma. A maior vantagem é que é um método não invasivo, que pode diminuir frequência, intensidade e duração das crises, e fazer com que seja possível diminuir as dosagens de medicamentos.
A fisioterapeuta Márcia Karime Aoki, de Londrina, explica que a fisioterapia respiratória pode aliviar os sintomas de asma e bronquite, por exemplo, durante as crises. E depois, com a continuidade do tratamento, é possível aumentar o intervalo entre as crises.
Durante as sessões de fisioterapia são feitas manobras e uso de equipamentos que ajudam a eliminar secreções acumuladas no pulmão, a aumentar a ventilação, e a corrigir a postura para que o paciente aprenda a respirar melhor. Um dos objetivos é estimular a tosse, para a secreção sair. ''A criança aprende a respirar com o pulmão inteiro'', afirma.
No caso da asma, doença crônica inflamatória, com prevalência em 15% das crianças brasileiras, a sensação é de afogamento e falta de ar, mas o que acontece no alvéolo é justamente o contrário - o ar não consegue sair de dentro, causando chiado no peito, tosse e dificuldade para respirar. Sem ventilação e tratamento adequado, a falta de oxigênio pode deixar as extremidades do corpo arroxeadas e, em casos graves, a insuficiência respiratória pode chegar a uma parada cardíaca.
Desencadeada por diversos fatores, como infecções virais, contato com ácaros e fungos, a asma também pode se manifestar depois de um exercício físico intenso. ''Normalmente são crianças mais sedentárias, que não brincam e não correm porque têm falta de ar. A asma é uma doença triste, que atinge a família inteira porque a criança não pode fazer um monte de coisa, não pode ir na piscina, não pode tomar sorvete, se esfriou não pode sair de casa'', aponta.
Márcia ressalta que no caso da asma é especialmente interessante diminuir o uso de medicamentos, já que o tratamento medicamentoso é feito com broncodilatadores e corticóides. O primeiro costuma causar taquicardia e o segundo tem entre seus efeitos colaterais a diminuição da imunidade. O corticóide também pode afetar o crescimento se o uso for prolongado.


