Fisioterapia para tratamento da DTM
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segunda-feira, 06 de fevereiro de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
A fisioterapia é a nova aliada da odontologia no tratamento da disfunção temporomandibular (DTM). Pouco conhecido da maioria dos profissionais e pacientes, o trabalho conjunto entre dentistas e fisioterapeutas, segundo o fisioterapeuta Leonardo Ernesto Debertolis, de Londrina, pode trazer resultados melhores e mais rápidos.
Um distúrbio na mandíbula, explica o fisioterapeuta, pode se refletir em outras partes do corpo, como coluna, pés e joelhos. Ou o contrário - a DTM pode ser resultado de um desequilíbrio corporal. Daí a importância de um tratamento fisioterápico, ressalta.
A disfunção têmporo-mandibular, explica o fisioterapeuta, se caracteriza pelo conjunto de alterações nos músculos mastigatórios, na articulação temporomandibular (ATM) e estruturas adjacentes - alterações que podem dificultar funções essenciais, como mastigar alimentos ou falar adequadamente.
A principal causa da DTM é a tensão muscular (o famoso
bruxismo, distúrbio caracterizado pelo apertar e ranger dos dentes, causado principalmente pelo stress). Em 90% dos casos a DTM é causada pelo stress, pela hiperatividade da musculatura, aponta o fisioterapeuta.
Outra das causas é a má oclusão dos dentes, que não se fecham corretamente e fazem com que o osso da mandíbula se desloque para compensar a mordida errada. Mas a DTM também pode causar a má oclusão. Além disso, a origem da doença também pode estar na perda de dentes, o que causa um desequilíbrio na região.
Um dos principais sintomas do distúrbio são os estalidos na mandíbula ao mastigar ou abrir e fechar a boca. Mas o que mais incomoda o paciente são as dores persistentes - de cabeça, de ouvido ou na coluna, as noites maldormidas, zumbido no ouvido e o cansaço na hora de comer e de falar. Tem pessoas que têm dores por mais de 20 anos e não procuram ajuda, alerta o fisioterapeuta.
A DTM ainda pode funcionar como um gatilho para outras dores. Debertolis explica que o corpo tem um sistema compensatório, por isso o desequilíbrio na articulação temporomandibular pode refletir em dores no joelho, no pé, ou na coluna cervical. O desequilíbrio sobrecarrega todo corpo, ressalta.
Com o dentista, o tratamento é feito com o uso, normalmente noturno, de uma placa feita de resina acrílica, que é encaixada na arcada superior dos dentes para reduzir a atividade dos músculos.
Já a fisioterapia, segundo Debertolis, completa o trabalho do dentista. Só o uso da placa nem sempre significa a resolução do problema, explica. O tratamento fisioterápico visa primeiro reduzir a dor, com manobras intra-orais para o relaxamento e alongamento da musculatura. Depois, o objetivo é o reequilíbrio de todo o corpo.
Em alguns casos, o fisioterapeuta indica inclusive o uso de palmilhas para corrigir algum problema no arco do pé. Um desequilíbrio na base desorganiza todo o corpo, justifica. Debertolis também trabalha com o hiperbolóide, um instrumento de mastigação feito de silicone, usado para exercícios de fortalecimento muscular. O importante é ressaltar que o tratamento é individualizado, afirma.
Sem tratamento, alerta o fisioterapeuta, a articulação temporomandibular pode travar, chegar a um ponto em que não é possível fazer movimentos.
Serviço: Leonardo Debertolis - Londrina (43) 3341-6502


