A fisioterapia é a nova aliada da odontologia no tratamento da disfunção temporomandibular (DTM). Pouco conhecido da maioria dos profissionais e pacientes, o trabalho conjunto entre dentistas e fisioterapeutas, segundo o fisioterapeuta Leonardo Ernesto Debertolis, de Londrina, pode trazer resultados melhores e mais rápidos.
  Um distúrbio na mandíbula, explica o fisioterapeuta, pode se refletir em outras partes do corpo, como coluna, pés e joelhos. Ou o contrário - a DTM pode ser resultado de um desequilíbrio corporal. ‘‘Daí a importância de um tratamento fisioterápico’’, ressalta.
  A disfunção têmporo-mandibular, explica o fisioterapeuta, se caracteriza pelo conjunto de alterações nos músculos mastigatórios, na articulação temporomandibular (ATM) e estruturas adjacentes - alterações que podem dificultar funções essenciais, como mastigar alimentos ou falar adequadamente.
  A principal causa da DTM é a tensão muscular (o famoso
‘‘bruxismo’’, distúrbio caracterizado pelo apertar e ranger dos dentes, causado principalmente pelo stress). ‘‘Em 90% dos casos a DTM é causada pelo stress, pela hiperatividade da musculatura’’, aponta o fisioterapeuta.
  Outra das causas é a má oclusão dos dentes, que não se fecham corretamente e fazem com que o osso da mandíbula se desloque para compensar a mordida errada. Mas a DTM também pode causar a má oclusão. Além disso, a origem da doença também pode estar na perda de dentes, o que causa um desequilíbrio na região.
  Um dos principais sintomas do distúrbio são os estalidos na mandíbula ao mastigar ou abrir e fechar a boca. Mas o que mais incomoda o paciente são as dores persistentes - de cabeça, de ouvido ou na coluna, as noites maldormidas, zumbido no ouvido e o cansaço na hora de comer e de falar. ‘‘Tem pessoas que têm dores por mais de 20 anos e não procuram ajuda’’, alerta o fisioterapeuta.
  A DTM ainda pode funcionar como um ‘‘gatilho’’ para outras dores. Debertolis explica que o corpo tem um sistema compensatório, por isso o desequilíbrio na articulação temporomandibular pode refletir em dores no joelho, no pé, ou na coluna cervical. ‘‘O desequilíbrio sobrecarrega todo corpo’’, ressalta.
  Com o dentista, o tratamento é feito com o uso, normalmente noturno, de uma placa feita de resina acrílica, que é encaixada na arcada superior dos dentes para reduzir a atividade dos músculos.
  Já a fisioterapia, segundo Debertolis, completa o trabalho do dentista. ‘‘Só o uso da placa nem sempre significa a resolução do problema’’, explica. O tratamento fisioterápico visa primeiro reduzir a dor, com manobras intra-orais para o relaxamento e alongamento da musculatura. Depois, o objetivo é o reequilíbrio de todo o corpo.
  Em alguns casos, o fisioterapeuta indica inclusive o uso de palmilhas para corrigir algum problema no arco do pé. ‘‘Um desequilíbrio na base desorganiza todo o corpo’’, justifica. Debertolis também trabalha com o hiperbolóide, um instrumento de mastigação feito de silicone, usado para exercícios de fortalecimento muscular. ‘‘O importante é ressaltar que o tratamento é individualizado’’, afirma.
  Sem tratamento, alerta o fisioterapeuta, a articulação temporomandibular pode ‘‘travar’’, chegar a um ponto em que não é possível fazer movimentos.

Serviço: Leonardo Debertolis - Londrina (43) 3341-6502

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