Fisioterapeuta dá exemplo de superação
Helaine Cristina Herrero é um exemplo de quem fez de um acontecimento ruim um propósito maior. A fisioterapeuta, que hoje tem 46 anos, perdeu em um acidente a filha Flávia Cristina, na época com oito anos. Sofreu muito e até hoje, quase 10 anos depois, sente ''a mesma falta'' da filha. Mas conseguiu ''voltar a viver'' criando a associação Flávia Cristina para atender crianças com deficiência mental e física.
Ela lembra que, quando se viu naquela situação, ficou ''dias e dias atordoada'', mas também percebeu que tinha duas opções. ''A pior coisa que uma mulher pode passar é perder um filho, é uma situação limite, não há nada pior que isso. Mas vi que tinha dois caminhos, ou ficava louca e deprimida, e ia acabar levando minha mãe comigo, ou saía daquilo'', lembra.
Helaine conta que a profissão ajudou muito. Na época trabalhava em uma instituição que cuidava de crianças cegas e com deficiência física. ''O trabalho foi minha 'tábua de salvação', ia trabalhar e deixava de pensar (no que tinha acontecido)'', conta.
A fisioterapeuta considera que sua personalidade também ajudou a superar a situação. ''Sou muito positiva. A associação não foi uma coisa que planejei, foi colocada na minha vida. Deixei de cuidar fisicamente da minha filha, mas continuei cuidando dela'', afirma.
A Associação Flávia Cristina também cresceu nesse período: no início prestava atendimento as seis crianças; hoje são 110 crianças e jovens de até 21 anos beneficiados com educação especial e tratamento multidisciplinar. A meta para esse ano é atender 160 pessoas. (C.P.)





