Físico contesta versão oficial sobre blecaute
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terça-feira, 16 de março de 1999
Agência Folha 
O físico Luiz Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse ontem que contesta a versão oficial sobre a causa do blecaute de quinta-feira passada. Segundo ele, a versão de que a queda de um raio na subestação da Cesp (Companhia Energética de São Paulo) em Bauru (SP) provocou o acidente não é sustentável. Segundo ele, o mais provável é que um raio tenha caído próximo à subestação, em uma das linhas de transmissão que levam a ela. O raio teria provocado uma onda de tensão na linha, e os equipamentos de segurança da subestação (disjuntores) teriam falhado, permitindo que essa tensão extra entrasse na estação e causasse o desligamento geral das linhas locais e o desligamento em série de outras unidades.
A empresa Furnas Centrais Elétricas negou ontem ao IPMET (Instituto de Pesquisas Meteorológicas) da Unesp de Bauru (SP) informações sobre a incidência de raios na noite do blecaute. Os dados são indispensáveis para um estudo iniciado pelo instituto para explicar o que aconteceu no céu sobre a subestação de Bauru no instante do blecaute. Segundo o coordenador do estudo, o pesquisador Maurício Agostinho Antonio, 46 anos, a superintendência de engenharia de Furnas informou que o relatório com os dados tinha sido encaminhado ao ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), a quem ele deveria recorrer. Desde o início do ano, segundo Antonio, Furnas opera um sistema integrado com a Cemig (Centrais Elétricas de Minas Gerais) e o Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná) capaz de detectar e localizar raios.
O coordenador do Simepar, Eduardo Leite, disse ontem que não poderá fornecer dados precisos aos meteorologistas da Unesp em Bauru sobre descargas elétricas ocorridas no dia do blecaute. Leite afirmou que o sistema que monitora a ocorrências de raios no Paraná não consegue atingir com precisão a região de Bauru. Leite espera levantar os dados, ainda que imprecisos, até amanhã. O Paraná conta com um sistema que tem sensores espalhados em seis pontos diferentes do Estado que captam descargas elétricas. O sistema funciona com triangulação de dados, ou seja, para a captação e localização exata é preciso que um mesmo raio tenha sido detectado por três sensores.


