Washington, 10 (AE) Se o presidente Bill Clinton quisesse, em menos de 48 horas resolveria um dos maiores dilemas de seu governo: como garantir a vitória dos Estados Unidos na Iugoslávia sem perder uma única vida americana. Uma tropa de 7 mil voluntários, de 70 países, está apenas esperando o sinal verde da Casa Branca (e uma ajuda de US$ 33 milhões) para desembarcar, em dois dias, na região em conflito.
A tropa viajará de avião até Kosovo. Se não puder ficar lá, irá para países vizinhos. Não precisará de armas nem de aviões sofisticados ou de helicópteros. Os 7 mil voluntários são iniciados no programa TM-Sidhi. Conhecem os segredos milenares de meditação transcendental, espalharão "boas ondas" pela região e, se for necessário, levitarão.
O plano alternativo de combate foi apresentado com a devida pompa por seu autor, John Hagelin. Na mesma semana em que o Pentágono mostrava imagens de satélite dos alvos iugoslavos, bombardeados pelos EUA e aliados, Hagelin exibia imagens do cérebro humano e complicadas equações matemáticas, provando a eficácia de sua estratégia militar.
Hagelin detalhou seu plano de quatro fases: em 30 dias, garantiu, a meditação coletiva acalmará os ânimos na região. Nos dois meses seguintes, mil refugiados albaneses de Kosovo serão iniciados na arte oriental de controle de emoções e levitação.
Quando a experiência acabar, ninguém lembrará os ódios ancestrais que justificam as guerras nos Bálcãs. E, numa quarta etapa, serão formados grupos de militares, desempregados ou jovens decepcionados, cuja função será meditar sobre a paz.
O salão do National Press Center teve de ser redecorado para a ocasião: num canto foram espalhados colchões, onde 12 jovens, vestindo calças brancas e camisetas amarelas, posaram para a TV. Após cinco minutos de meditação, entraram no primeiro estágio de levitação: de pernas cruzadas, pularam, atropelaram-se e riram. Com mais prática, garantiram, voarão.
Quem esperava encontrar um guru de barba e cabelos longos, foi surpreendido pelo doutor de física quântica de Harvard. Hagelin veste terno e gravata, domina a técnica de rompimento de partículas e é candidato do Partido da Lei Natural à vaga de Clinton, nas eleições do ano 2000. Já tentou ser presidente, sem sucesso, em 1992 e em 1996.
"Até agora, o governo americano gastou mais que US$ 2 bilhões dos contribuintes e não conseguiu atingir qualquer um de seus objetivos", disse Hagelin. "Não consigo entender por que ninguém aceitou nossa proposta", acrescentou. Ele contou que procurou a secretária de Estado, Madeleine Albright, e o conselheiro para Segurança Nacional, Sandy Berger. Mas ambos rejeitaram seu plano.
Os US$ 33 milhões que seriam gastos, para transportar os voluntários para Kosovo, Macedônia ou Albânia, equivalem a dois helicópteros Apache. Esse dinheiro, disse Hagelin, não serve para pagar a cauda de um bombardeiro sofisticado.
Hagelin também anunciou que o Partido de Lei Natural tem planos para o Brasil: formar um parlamento, numa ilha da Bahia, para discutir o bem-estar mundial.

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