São Paulo, 28 (AE) - Física e Química foram as matérias que deram mais dor de cabeça aos cerca de 42 mil candidatos que prestaram hoje a primeira fase do vestibular da Universidade de Campinas (Unicamp), disputando 2.479 vagas em 52 cursos diferentes. De maneira geral, os estudantes elogiaram o exame, que privilegiou o raciocínio e a interdisciplinaridade, exigindo conhecimentos básicos de cada matéria. "A prova foi mais fácil que a da Fuvest, as questões eram mais objetivas, valorizavam menos os conhecimentos pontuais e mais a interpretação", disse Karen Murayama, de 17 anos, que prestou medicina.
O tema central da prova, abordado na redação e em praticamente todas as outras matérias, foi a água. Na redação, que este ano representa 50% da nota do exame, foram apresentados vários textos como subsídio ao aluno, que teve de optar entre desenvolver uma dissertação, uma narração ou uma carta sobre o tema. Mesmo os candidatos que acharam difícil a tarefa consideraram inteligente a proposta.
"Foi difícil porque o tema é complexo demais, mas é pertinente e foi muito bem-apresentado", avaliou Marcelo Gasparian, de 18 anos, que abandonou o curso de mecatrônica na Escola Politécnica para fazer cursinho e prestar vestibular para economia. Sua opinião coincide em parte com a do coordenador de português do Objetivo, Francisco Achcar: "Como já é tradicional na Unicamp, a redação proposta foi excelente: um tema importante
atual, proposto de forma clara por meio de uma coletânea de textos muito boa."
O reitor da Unicamp, Hermano Tavares, ressaltou a característica geral da prova, que mesclou todas as disciplinas. Na questão nº 9, de Física, havia um enunciado de História. "Isso foi feito de propósito, pois há necessidade de aplicar todas as matérias dentro dos conteúdos."
Muitos alunos consideraram as questões de matemática fáceis, opinião compartilhada pelo coordenador dessa área no Curso e Colégio Objetivo, Giuseppe Nobilioni: "O exame exigiu apenas as quatro operações e raciocínio, o que é adequado para a primeira fase." Opinião semelhante teve o coordenador de Biologia, Luiz Carlos Bellinello, sobre sua área: "A prova exigiu o básico, que é dado até na rede pública, mas apresentou os temas de maneira original."
Também a opinião do coordenador de química do Objetivo, Antonio Mario Salles, coincidiu com a dos candidatos. "Para a primeira fase, as questões estavam muito difíceis, sobretudo para alunos de humanas; era preciso saber fórmulas específicas." Já o coordenador de física do Objetivo, Eduardo Figueiredo, considerou o nível adequado. "Foram duas questões simples", disse Figueiredo
As questões de História e Geografia foram marcadas pela interdisciplinaridade. "Mas foram muito factuais; esperava que fossem mais interpretativas, mais inteligentes", criticou o coordenador de história do Objetivo, Francisco Alves da Silva.
Atrasos - Nas 17 cidades onde foi realizado, o exame transcorreu sem incidentes, fora os atrasos, sempre tratados com rigor. Michele Gonzaga, por exemplo, chegou à Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, para a prova com poucos segundos de atraso. O fiscal nem havia acabado de encostar o portão, mas ela não pôde entrar: "Eu me perdi", disse, enquanto colocavam o cadeado.
Este ano, o índice de abstenção ficou abaixo do de 98: 2 55% ante 2,99%. Isso significa que cerca de 1.100 dos 43.100 inscritos não compareceram ao exame. A grande expectativa da Comissão de Vestibular da Unicamp é com relação aos 1.398 candidatos que pediram isenção da taxa de inscrição. "Aguardamos com expectativa conhecer a produtividade dos candidatos isentos", afirmou a coordenadora do vestibular, Maria Bernadete Abaurre.

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